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A adolescência constitui uma etapa de busca pela autoafirmação e independência, somado a uma série de transformações físicas e psicológicas. Diante dessas mudanças e dificuldades, alguns adolescentes optam pelo uso abusivo de drogas. Assim, denota-se a transição do objeto de dependência (os pais) por outro (as drogas), em que o adolescente pode se prender patologicamente ao objeto concreto, para amenizar a ansiedade. Entre os psicodinamismos de usuárias de drogas estão a dificuldade de integração do self, distanciamento social e desconfiança. O objetivo deste trabalho é refletir sobre a experiência de maternagem em uma mãe usuária de drogas, e nas relações que esta estabelece com as filhas. Este é um estudo de caso analisado por meio do referencial psicanalítico. Silvia, 38 anos, mãe de duas filhas gêmeas, de 12 anos, iniciou o uso das drogas aos 15 anos. Quando engravidou, o parceiro a abandonou durante a gestação. Nessa situação, ela passou a rejeitar as meninas, com dificuldades em assumir a função de mãe de forma suficientemente boa. Na fase da pré-adolescência das filhas, Silvia entrou em uma crise profunda de dependência às drogas, o que levou sua família a interná-la em uma clínica de reabilitação. O fato suscitou na família a necessidade de suporte para todos os membros, inclusive para as gêmeas. Durante o processo terapêutico das filhas, Silvia esteve bastante ausente, demonstrando dificuldade no cuidado com elas e consigo própria. Avaliou-se que o uso abusivo de drogas acarretou prejuízos em sua vida, no âmbito social, afetivo e familiar, em especial no cuidado com as filhas. Para as meninas, a figura materna era invasiva e ameaçadora, com comportamentos ambivalentes, oscilando entre proteção e ameaça. Os frágeis vínculos construídos a partir da história de vida de Silvia, não lhe possibilitaram receber holding suficiente, gerando sentimentos de insegurança. Assim, ela sente necessidade de se proteger, mantendo-se distante e desvinculada de afetos. Estas dificuldades se refletiram na sua função materna, pois ela não pode perceber as reais necessidades de suas filhas. No entanto, o trabalho terapêutico com as gêmeas permitiu que Silvia também tivesse um espaço para si, como orientação de pais, e que recebesse um encaminhamento para atendimento psicológico individual, junto com acompanhamento médico para o tratamento de drogadição, para que possa receber o cuidado que precisa.
Palavras-chave: maternagem, drogadição, desenvolvimento emocional.