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RESULTADOS QUALITATIVOS DE EXPERIÊNCIAS DE BULLYING ENTRE ADOLESCENTES E NEXOS COM INTERAÇÕES FAMILIARES E SAÚDE MENTAL

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Introdução: Os índices de prevalência e as consequências do bullying escolar o qualificam como um problema de saúde pública. Crianças e adolescentes convivem com esse tipo de violência cujas causas e consequências ainda não foram elucidadas. No Brasil, especificamente, existem estudos sobre a problemática em diferentes perspectivas, contudo, esse é um dos primeiros estudos a abordar a variável interação familiar em relação com o bullying, bem como explorando, por meio de um estudo qualitativo, questões de saúde mental referidas por adolescentes. Objetivo: Conhecer experiências de bullying entre adolescentes e seus nexos com interações familiares e saúde mental. Método: Participaram do estudo 55 adolescentes, sendo 30 meninos e 25 meninas, com idade média de 15 anos, de 11 escolas públicas de uma cidade do interior de Minas Gerais, Brasil. Na coleta de dados foram realizadas entrevistas semiestruturadas no segundo semestre de 2014. As entrevistas foram transcritas e analisadas no software Atlas.TI, por meio da análise de conteúdo, em sua modalidade temática. Resultados: O bullying foi avaliado pelos participantes como resultado de experiências negativas na família (educação deficiente de valores éticos e morais; excesso de brigas e conflitos; dificuldades de relacionamento e falta de bons exemplos em casa). Os adolescentes vítimas de bullying relataram que as agressões provocaram grande sofrimento mental, quadros de baixa autoestima e ideações suicidas. Este sofrimento era agravado pela repetitividade das agressões, pela falta de suporte na família e pelo sentimento de terrorismo psicológico experimentado no grupo de pares. Conclusão: Observou-se que as interações familiares são determinantes para a dinâmica do bullying e devem ser consideradas nos programas de intervenção, principalmente naqueles desenvolvidos na atenção básica à saúde. Equipes da estratégia saúde da família podem desenvolver ações de fortalecimento de vínculos familiares e contribuir com a identificação de sinais e sintomas da vitimização, por exemplo. Por outro lado, os dados relacionados à saúde mental revelaram-se genéricos, mas foram confirmadas perspectivas da literatura que associam quadros de adoecimento psicológico e mental às vítimas de bullying, e o uso de álcool e outras drogas aos estudantes que agridem os colegas nas escolas. Sugerem-se outros estudos, com diferentes delineamentos, para esclarecer as ideias apresentadas nesse estudo.