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Introdução: O aumento de doenças inflamatórias intestinais (DII) na população relaciona-se com as mudanças no perfil de morbimortalidade, cujos fatores de risco são hereditários, ambientais e comportamentais. A questão emocional é relevante, pois o componente psicossomático está intimamente relacionado às DII, resultante da interação corpo, mente e ambiente, sendo que o estresse psicológico pode, ainda, desencadear quadros de recidiva e agudização da doença. Para a melhoria do atendimento multidisciplinar é necessário compreender o adoecimento por DII e suas repercussões. Objetivo: Analisar os sintomas físicos e emocionais de uma pessoa com DII. Método: Estudo de caso (CEP/EERP-USP374567142.2.0000.5393), elaborado por meio de consultas ao prontuário médico, atendimentos conjuntos da psicóloga e enfermeira, na enfermaria cirúrgica de Proctologia de um hospital universitário paulista. Resultados: Paciente de 38 anos, casada, ileostomizada há 10 meses por DII, católica, cozinheira hospitalar (afastada), procedente de uma cidade do interior paulista. Relato de adoecimento após um evento estressor, que gerou episódios de constipação intestinal. Para solucionar os sintomas, iniciou lavagens intestinais (manejo de cólon) frequentes no domicílio, sem orientação médica. Este quadro evoluiu para constipação crônica grave, sendo confeccionada ileostomia, contudo a equipe cirúrgica não conseguiu estabelecer um diagnóstico físico funcional específico. Durante este itinerário, foram estabelecidos diagnósticos como transtorno de personalidade Clubes B e ansiedade generalizada, cujos tratamentos foram interrompidos pela paciente; além do quadro de constipação intestinal, cujos tratamentos clínicos não tiveram sucesso e resultou na cirurgia. Mediante análise dos relatos da paciente, do atendimento conjunto da psicóloga/enfermeira, dos relatórios médicos, dos resultados de exames especializados, do atendimento da Psiquiatria e da discussão multidisciplinar e de enfermagem sobre o quadro clínico, inferimos que há possibilidade de predisposição genética para a fisiopatologia colorretal, porém a questão emocional foi determinante para a sua condição de saúde. Conclusão: O adoecimento por DII requer assistência multidisciplinar, fundamentada na integralidade e humanização do cuidado, considerando os aspectos psicossomáticos e fisiopatológicos na avaliação, atendimento, tratamento e seguimento de pacientes com DII.
Palavras-chave: Psicossomática. Assistência integral à saúde