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O CONHECIMENTO SOBRE O CÂNCER DO COLO DO ÚTERO DE MULHERES QUILOMBOLAS DE UMA COMUNIDADE NO NORTE DO BRASIL

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Apresentação/Introdução
A Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta (PNSIPCF), visa diminuir as iniquidades em saúde que refletem em altas taxas de morbidade e mortalidade nessa população, assim como busca um compromisso do governo em instituir o acesso à saúde, devido a dificuldade de acesso das mulheres de comunidades quilombolas às ações preventivas para o Câncer do Colo do Útero (CCU).


Objetivos
Em busca realizada na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), encontrou-se apenas três artigos sobre o assunto. Dada a relevância da temática e a escassez, o trabalho tem o objetivo de identificar o conhecimento sobre o CCU de mulheres quilombolas.


Metodologia
O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB). Foi delineado como observacional descritivo de abordagem quantitativa. Participaram 100 mulheres quilombolas entre 18 a 65 anos, recrutadas por conveniência e que assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE). Foi realizada em três comunidades do município de Abaetetuba, Pará (Alto, Médio e Baixo Itacuruçá). Os dados foram coletados nas moradias das participantes, localizadas nas margens dos rios, por meio da aplicação de um questionário semiestruturado, elaborado pelos autores. Para a análise dos dados foi utilizado o programa estatístico Epi Info versão 7.1


Resultados
Foram 17 perguntas, mas para o resumo foram elucidadas: O HPV pode causar o câncer do colo do útero: 61% acertaram; O exame papanicolau (preventivo) deve ser realizado de 4 em 4 anos: 55% acertaram; Mulheres acima de 40 anos não precisam realizar o exame papanicolau (preventivo): 86% acertaram; O exame Papanicolau (preventivo) ajuda a diagnosticar o câncer do colo do útero: 88% acertaram; Um dos sintomas do câncer do colo do útero é o sangramento vaginal: 57% acertaram; Quando diagnosticado na fase inicial existem chances de cura: 93% acertaram; A Sífilis pode causar o câncer do colo do útero: 90% erraram; O sedentarismo não é um fator de risco para o câncer do colo do útero: 71% erraram;


Conclusões/Considerações
Identificou-se muitas dúvidas sobre o CCU entre as participantes, apesar do número de acertos em alguns domínios. A questão de acesso às redes de atenção à saúde para comunidades quilombolas ainda precisa de mais avanços, assim como investimentos na atenção primária de saúde para essa população com foco na educação em saúde e o conhecimento popular. O CCU é uma questão de saúde pública e precisa de mais estudos direcionados para quilombolas.