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Período de Realização
Experiência ocorrida em outubro 2017.


Objeto da Experiência
Grupo de convivência desenvolvido por equipe de Saúde da Família (eSF) em parceria com equipe do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (eNasf) em Recife.


Objetivos
O presente relato busca refletir sobre as perdas, luto e finitude em um grupo de convivência de mulheres, na maioria idosas, na Atenção Básica (AB). Abordar temáticas complexas e evitadas a partir de atividades lúdicas e expressivas.


Metodologia
A partir do falecimento de uma das idosas mais atuantes do grupo de convivência que existe há mais de 10 anos, a eSF e o eNASF perceberam a necessidade de trabalhar este luto junto às idosas. Neste sentido, foram organizados 4 encontros semanais, onde cada momento abordou questões sobre envelhecimento, perdas, luto, finitude, cuidados paliativos, vontades para o fim da vida e morte, através de atividades lúdicas e expressiva, como a utilização do Jogo “Cartas na Mesa” e um esquete teatral.


Resultados
A temática esbarrou na resistência de parte das participantes, porém, diante do sofrimento da perda, o caráter lúdico das atividades favoreceu a expressão dos sentimentos, de início tristeza e saudade, que evoluíram para a ressignificação de vida e morte, autonomia no fim da vida e finitude. Demonstraram vergonha em desenvolver esquete teatral, mas ao serem estimuladas com perguntas condutoras se expressaram cenicamente, representando, assim, o produto dos encontros de forma leve e resolutiva.


Análise Crítica
A morte enquanto tabu na nossa cultura é um dos fatores de estudos que dizem, no Brasil, ainda se morre com má qualidade. Vivenciada de forma silenciosa para poupar sofrimentos, acaba por não nos permitir ressignificar a vida diante do inevitável. Apesar do tabu, as discussões lúdicas permitiram às mulheres redefinir a finitude. Os relatos ao longo dos encontros ilustraram significativamente a quebra da barreira e o percurso até a autonomia sobre suas escolhas de cuidados ao fim da vida.


Conclusões e/ou Recomendações
As intervenções lúdicas se revelaram como importantes ferramentas para reflexão sobre morte e autonomia no fim da vida. Amplamente discutida na alta complexidade, onde o sofrimento já está instalado, a vivência ressaltou a importância de ampliar o trabalho na perspectiva da educação em saúde na AB para refletir uma temática culturalmente densa, de modo expressivo, capaz de transmitir sentimentos de maneira mais eficaz e promover autonomia.