QUE É MEDICINA NARRATIVA?

Vol 1, 2018 - 102353
Comunicação Oral Curta
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

Apresentação/Introdução
A Medicina Narrativa pode ser explicitada como prática e disposição intelectual que permite aos médicos perceberem para além dos mecanismos biológicos: busca-se somar à leitura de sinais do corpo uma decodificação das narrativas e outros indícios verbais e não-verbais dos pacientes. Tal habilidade requer abertura não apenas cognitiva, mas da esfera dos valores na experiência do encontro clínico.


Objetivos
O objetivo deste estudo é compreender a constituição do que se tem convencionado chamar de Medicina Narrativa (Narrative Medicine), em especial no âmbito da formação médica.


Metodologia
Por meio da analise de textos considerados fundamentais para a temática da Medicina Narrativa e análise de conteúdo do documento “The development of narrative practices in medicine c.1960–c.2000”, traçamos os principais movimentos, disciplinas e campos que repercutiram na constituição da Medicina Narrativa, situado no campo das Humanidades Médicas. O documento em análise é produto de um seminário produzido pela Wellcome Trust e funcionou como um grupo focal com os principais autores internacionais do campo, além de médicos, professores, linguistas e filósofos que ajudaram a construir o debate acadêmico das relações entre narratividade e medicina desde os anos 1960.


Resultados
A Medicina Narrativa foi sendo constituída tendo por base a “virada narrativa” das ciências sociais e humanas desde meados do século passado. Identificamos, em especial três eixos: a) os Estudos Literários e a interface com a Semiótica originando a Narratologia; b) a Antropologia Médica com a valorização da experiência de adoecimento (illness) em oposição à doença (disease); c) o desenvolvimento de estudos sobre Hermenêutica e da própria Fenomenologia e suas traduções para o campo da saúde.


Conclusões/Considerações
O emergente debate da Medicina Narrativa coloca em relevância a necessidade de maior porosidade da prática clínica a contribuições de outras áreas do saber como Filosofia, Literatura, Comunicação e Sociologia. É fundamental amplificar os elementos do universo interpretativo do clínico para ser capaz de reconhecer os contextos narrativos onde falas, significados e demandas dos pacientes sejam compreendidos para além da engessada anamnese.

Instituições
  • 1 ENSP / UFRJ
  • 2 ENSP
Eixo Temático
  • Educação e Formação em Saúde