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PRÁTICAS DE ROTINA NA ASSISTÊNCIA AO PARTO E AO RECÉM-NASCIDO EM UMA MATERNIDADE DO SUS EM SÃO PAULO (SP): OBSTÁCULOS À INCORPORAÇÃO DE INOVAÇÕES

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Apresentação/Introdução
A assistência ao parto e ao recém-nascido no Brasil apresenta excessivas intervenções de rotina, levando a condições danosas e inseguras tanto para a mulher quanto para o/a bebê. Este trabalho faz parte de um projeto de pesquisa maior, com o piloto de implementação da Iniciativa Hospital Amigo da Mulher e da Criança em uma maternidade do SUS da cidade de São Paulo.


Objetivos
Avaliar o critério “sem práticas de rotina durante o trabalho de parto e parto” com a identificação das práticas de rotina realizadas na assistência ao parto e ao recém-nascido em uma maternidade do SUS da cidade de São Paulo.


Metodologia
Para conhecer o funcionamento da maternidade, foram realizadas cerca de 300 horas de observação participante nas instalações da instituição em questão, em dias e horários distintos. Foram elaborados relatórios detalhados que continham informações a respeito do ambiente, das rotinas, das relações interpessoais e das intervenções feitas na mulher e no bebê durante todo o período de internação. Após uma leitura minuciosa desses relatórios, foram destacadas as práticas de rotina na assistência à mulher e ao bebê, com posterior comparação entre esses dados e as recomendações do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde e das mais recentes revisões sistemáticas a respeito do tema.


Resultados
Foram identificadas diversas práticas de rotina que não se justificam a partir de evidências científicas, como: colocação de acesso venoso periférico, uso indiscriminado de misoprostol para indução do trabalho parto, uso indiscriminado de ocitocina para aceleração do trabalho de parto, amniotomia, episiotomia, posição litotômica para o nascimento, toques vaginais repetidos e por diferentes profissionais, manobra de Kristeller, puxo dirigido, clampeamento precoce do cordão umbilical, separação mãe-bebê e aspiração das vias aéreas superiores do recém-nascido.


Conclusões/Considerações
Na maternidade em questão, há práticas de rotina desnecessárias e potencialmente danosas, e faltam protocolos assistenciais baseados em evidências científicas, o que compromete o bem-estar e a segurança de mulheres e bebês. Essa situação pode ser considerada uma forma de violência contra a mulher e um obstáculo à incorporação de boas práticas.