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PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS SOBRE A SAÚDE MENTAL DOS ADOLESCENTES ATINGIDOS PELO ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE FUNDÃO EM MARIANA – MG

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Apresentação/Introdução
A atenção psicossocial de crianças e adolescentes é marcada historicamente pela invisibilidade. No contexto de saúde mental em emergências e desastres, existe uma lacuna ainda maior na literatura sobre esse público. Diante desse cenário, buscou-se compreender as especificidades no acompanhamento de adolescentes, a partir da realidade das comunidades atingidas em Mariana (MG).


Objetivos
Compreender e analisar os impactos psicossociais e as formas de ressignificação dos adolescentes atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão em Mariana (MG) a partir da percepção dos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial do município.


Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa que buscará compreender os significados atribuídos pelos participantes ao impacto do desastre no cotidiano dos adolescentes. Foram realizados grupos focais com os profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Mariana que trabalham diretamente com a população atingida, buscando compreender a percepção sobre esse público e a construção de ações e estratégias voltadas para ele. As entrevistas foram analisadas a partir das técnicas de Análise de Conteúdo Temática.


Resultados
Participaram onze profissionais de saúde de nível superior. As principais questões estão vinculadas às dificuldades de apropriação ao novo território, pouca relação de pertencimento, perda de vínculos significativos e uma desorientação espacial no período inicial. O medo dos pais e adolescentes da maior exposição a situação de vulnerabilidade no meio urbano causam isolamento. Apesar disso, relatam melhor adaptação, quando comparado a adultos e idosos. A dificuldade em construir estratégias e a invisibilidade dos adolescentes no começo das ações também são reconhecidas. Os profissionais apontam a importância do protagonismo dos adolescentes, que ficam alheios às decisões políticas.


Conclusões/Considerações
Apesar de questões individuais na forma como cada um vivencia e elabora as mudanças após um desastre, os impactos apresentados estão relacionados às mudanças no contexto social e cultural. As características de desenvolvimento nessa fase apontam a necessidade de ações e estratégias específicas na atenção psicossocial e da formação de profissionais para trabalhar com esse público, sem abordagens patologizantes e de vitimização.