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O DIREITO DA MULHER À PRIVACIDADE EM UMA MATERNIDADE DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO (SP): COMO SE ORIENTAM OS AMBIENTES, AS ROTINAS E POSTURAS PROFISSIONAIS

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Apresentação/Introdução
Este trabalho insere-se no projeto "Estratégias para a incorporação de inovações na assistência ao parto e ao recém-nascido: intervenção piloto no SUS da Iniciativa Hospital Amigo da Mulher e da Criança (IHAMC)". A Iniciativa propõe dez critérios para qualificar um serviço obstétrico. Conforme dados da etapa diagnóstica do projeto, esta pesquisa avalia o indicador referente à privacidade da mulher.



Objetivos
Descrever as condições relativas à privacidade da mulher durante a internação hospitalar, em uma maternidade SUS da cidade de São Paulo; comparar as práticas institucionais com o que é recomendado por documentos oficiais, guias e protocolos.



Metodologia
Para conhecer o funcionamento da maternidade, foram realizadas cerca de 300 horas de observação nos diferentes setores da instituição, em dias e horários distintos. As pesquisadoras fizeram registros detalhados do ambiente, das rotinas, das relações interpessoais e das intervenções feitas na mulher e no bebê durante todo o período de internação. Também foi feito um grupo com usuárias do serviço, para a coleta de depoimentos acerca dos dez indicadores propostos pela IHAMC. Para a análise deste trabalho, foram destacados os dados referentes à questão da privacidade. Por fim, fez-se uma comparação entre dados da observação e recomendações oficiais a respeito do tema, com uso do software NVivo.



Resultados
Evidenciaram-se três aspectos relacionados ao tema da pesquisa: ambiente (organização do espaço físico), rotina institucional (organização dos cuidados, práticas usuais) e atitude profissional (comportamentos, relação com usuários). Ainda que existissem elementos favoráveis à manutenção da privacidade, principalmente no ambiente do Centro de Parto Normal, o material coletado revelou um descompasso significativo entre o que é recomendado e as práticas institucionais correntes. Destacam-se os processos de despersonalização das mulheres, a falta de empatia e sensibilidade por parte dos profissionais, além da despreocupação com o número de pessoas realizando intervenções em uma mesma parturiente.


Conclusões/Considerações
Embora biombos e salas fechadas sejam importantes, não são suficientes para garantir privacidade. Revela-se fundamental implementar protocolos institucionais baseados em evidências e nos direitos das mulheres. Ademais, faz-se necessário refletir sobre como a qualificação profissional e as condições de trabalho contribuem para os achados da pesquisa e de que modo poderiam ser mais favoráveis a uma assistência que respeite o direito à privacidade.