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INCORPORAÇÃO DE INOVAÇÕES NA ASSISTÊNCIA AO O PARTO E AO RECÉM NASCIDO: UMA INTERVENÇÃO PILOTO DA INICIATIVA HOSPITAL AMIGO DA MÃE E DA CRIANÇA (IHAMC)

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Apresentação/Introdução
Nos últimos anos, muitas inovações foram propostas na saúde perinatal para torná-la mais segura, amigável com as mulheres e baseada em evidências. Apesar das políticas públicas e da pressão de movimentos sociais pela humanização do parto, a incorporação de inovações tem sido lenta. Em 2015, agências internacionais lançam a Iniciativa Hospital Amigo da Mãe e da Criança para acelerar estas mudanças.


Objetivos
Desenvolver e avaliar um projeto piloto de implementação da Iniciativa Hospital Amigo da Mãe e da Criança, em 2 maternidades do SUS que oferecem treinamento na assistência ao parto, uma no Município de São Paulo e outra no interior.


Metodologia
Componente qualitativo de uma intervenção quase-experimental, com métodos mistos, com avaliação pré e pós-intervenção, em um hospital-maternidade público da cidade de São Paulo. Foram realizadas análises documentais, observação de plantões, entrevistas e grupos focais, para ajudar a projetar a intervenção, explorando como profissionais, gestores e usuárias percebem as inadequações da formação profissional, do atendimento na maternidade e as oportunidades de mudança. Foi constituído um grupo do serviço para a pactuação dos indicadores de inovação, inspirado na metodologia do Laboratório de Mudança.


Resultados
Os problemas que dificultam a incorporação de inovações identificados foram: sobrecarga das equipes; histórico de atendimento a grávidas solteira e pobres, “desempoderadas”; problemas estruturais levando à falta de privacidade; acesso às mulheres em trabalho de parto por estudantes de medicina e enfermagem, sem a devida supervisão; falta de controle e registro de intervenções potencialmente nocivas; profissionais não se identificam, dificultando a responsabilização; obstáculos para o acompanhantes durante toda a internação; ausência de uma cultura de escolha ou recusa informadas; rotinas consideradas discriminatórias pelas mulheres. As mudanças foram muito aceleradas após o diagnóstico.


Conclusões/Considerações
O mapeamento da cultura institucional, a definição de prioridades e indicadores de mudança, adicionaram temas e prioridades não vislumbrado originalmente. A fase formativa provocou uma “ignição” das mudanças antes da própria intervenção. Envolver as partes interessadas na definição de prioridades aumentou seu senso de propriedade da mudança, criou indicadores inovadores, aprimorou a intervenção e propôs estratégias não antevistas originalmente.