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CONSTRUÇÕES DA NUTRIÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE PARA A SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL: CAPITAL SIMBÓLICO DA ATUAÇÃO PROFISSIONAL

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Apresentação/Introdução
As lógicas de trabalho institucionais, a atuação profissional e as conjugações das políticas públicas nas circunstâncias locais, constituem elementos estratégicos para discutir a construção do campo disciplinar da nutrição dentro do SUS. Embora, nas reflexões tecidas, reverberem pouco as configurações do pensamento instalado e do exercício político na realidade concreta dos atores e suas posições.


Objetivos
Relacionar as propriedades das posições de atuação do nutricionista na Atenção Primária à Saúde (APS) para conhecer a configuração do pensamento instalado e do exercício profissional para a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN).


Metodologia
Foi realizada uma pesquisa qualitativa, respaldada no suporte teórico de Pierre Bourdieu, empregando a noção de capital simbólico. Consideramos três etapas: observação participante numa unidade básica de saúde de um local periférico da metrópole de São Paulo, durante 16 semanas; realização de conversações informais e entrevistas semiestruturadas e, comparação entre os sistemas de relações posicionais. Fez-se um recorte baseado nas entrevistas de duas mulheres nutricionistas que atuam na APS: uma atuante em duas unidades básicas de saúde (UBS) e o seu par no nível da gestão. Ambas com trajetória profissional maior de 19 anos, pós-graduação em temáticas de nutrição clínica.


Resultados
O capital simbólico circulante foi o tratamento (foco: obesidade), com maior eficácia simbólica na posição da UBS. Esta caracterizada por: trabalho “junto” a equipe e com todos os programas; delegação do planejamento e gestão ao coordenador; dificuldade para encaminhar usuários a outros equipamentos e pressão da alta demanda dos usuários. De forma oposta, na gestão por: trabalho “sozinha” e a falta de equipe; trabalho com alguns programas; demandas institucionais midiáticas; disputas e desgastes constantes na procura de parceiros dentro da instituição e dependência em meio da fragmentação da APS. Em comum, há a falta de mútuo reconhecimento interinstitucional sobre os profissionais.


Conclusões/Considerações
A produção de capitais específicos da Nutrição para a SAN, ainda não incluiu um sistema de distribuição instalado na APS, tanto na posição de gestão quanto de UBS. A SAN “não consegue chegar” no profissional de forma plena porque o domínio de capital tratamento não garante decifrar os códigos políticos da gestão e os mecanismos institucionais isolam as suas ações, com falta de equipe para desenvolver e articular, e sem espaço específico da SAN.