100889

CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS NA INFÂNCIA E RIGIDEZ ARTERIAL NA VIDA ADULTA SEGUNDO RAÇA/COR. ESTUDO LONGITUDINAL DE SAÚDE DO ADULTO (ELSA-BRASIL)

Favoritar este trabalho

Apresentação/Introdução
Desvantagens socioeconômicas na infância estão associadas a maior risco cardiovascular (DCV) na vida adulta. Da mesma forma, indivíduos de cor preta apresentam piores marcadores de DCV. Entretanto, pouco se sabe sobre o efeito dessas duas desvantagens na rigidez arterial, importante marcador subclínico de risco cardiovascular (DCV).


Objetivos
Investigar se a exposição à desvantagem social na infância está associada a maior rigidez arterial na vida adulta segundo raça/cor.


Metodologia
Participaram 13.055 indivíduos da linha de base (2008-2010) do ELSA-Brasil, com idade entre 34 a 75 anos, sem diagnóstico de DCV. A rigidez arterial foi medida pela velocidade de onda de pulso carótida-femoral (VOPcf) em m/s; a condição socioeconômica na infância pela escolaridade materna e peso ao nascer, e a raça/cor foi autorrelatada. Covariáveis consideradas foram: idade, sexo, escolaridade do participante, atividade física, tabagismo, peso, altura, pressão arterial média, frequência cardíaca, diabetes e uso de medicamentos anti-hipertensivos.


Resultados
A escolaridade materna foi associada a VOP na vida adulta em todos os subgrupos de raça/cor no modelo minimamente ajustado. Entretanto, apenas nos indivíduos pretos, a menor escolaridade materna manteve-se associada a maior VOP na vida adulta independente da escolaridade atual e de variáveis comportamentais e clínicas. Em pretos, os filhos de mulheres que nunca frequentaram a escola apresentaram um aumento de 0,39m/s (IC95%:0.10;0.59) na média da VOP em relação aos indivíduos de mães que tinham o segundo grau completo ou mais. Baixo peso ao nascer foi independentemente associado a menor VOP apenas em pretos (β: - 0.26; IC95%: - 0.49;- 0.03).


Conclusões/Considerações
Nossos resultados sugerem que a exposição à desvantagem socioeconômica na infância, aferida pela escolaridade materna, foi associada a maior rigidez arterial apenas entre pretos, o que é consistente com a carga desproporcional de morbimortalidade por doenças cardiovasculares nesse grupo. Já o baixo peso ao nascer foi associado a menor rigidez arterial somente entre pretos, indicando, provavelmente, um viés de sobrevida.