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Apresentação/Introdução
Esse texto é fruto de uma primeira aproximação genealógica realizada de forma coletiva pelos pesquisadores do Observatório Microvetorial de Políticas Públicas em Saúde e em Educação na Saúde. Parte da problematização das estratégias comumente utilizadas para análise de políticas para propor uma nova proposta ético-metodológica para a análise de políticas públicas de saúde, baseada em microvetores.


Objetivos
Construir uma genealogia da Política Nacional de Atenção Domiciliar (PNAD).


Metodologia
Quando tomamos a PNAD para análise, compreender as disputas, identificar forças operando, valores e vetores por elas produzidos em diferentes momentos, bem como seus efeitos na construção da política e nas diferentes formas como ela se concretiza em diferentes planos, abre novas possibilidades, numa outra perspectiva ético-estético-metodológica da análise de políticas. Esse exercício envolveu consultas a documentos, entrevistas com atores-chave do processo de implantação da política no cenário nacional, cartografia das práticas de atenção domiciliar em diferentes pontos do país, tanto no âmbito do SUS como da saúde suplementar, além de diversos encontros e reuniões.


Resultados
Identificou-se três forças atuantes na construção da AD que implicaram a oferta de cuidado segundo diferentes prioridades no Brasil. A força racionalidade econômico-financeira, cujos principais operadores eram gestores, se concretizava na AD como estratégia de desospitalização. Outra força, cujos trabalhadores e usuários eram os principais mobilizadores, abria possibilidades de cuidar melhor ou começar a cuidar de usuários com necessidades não atendidas ou atendidas dolorosamente nos hospitais. Uma terceira força era a capacidade inventiva como característica do processo de trabalho de equipes de AD que reinventavam a lógica do cuidado de modo compartilhado com cuidadores e usuários.


Conclusões/Considerações
A AD é um campo de tensões entre reprodução do modelo hegemônico de cuidado e produção de alternativas substitutivas, podendo haver simples transferência do hospital para o domicílio e diminuição de custos pela transferência de gastos ou a produção de novos modos de cuidar, incluindo relações mais horizontais entre trabalhadores e usuários e suas famílias. Essa reflexão precisa ganhar escuta no âmbito da produção das políticas.