69680

Determinantes da posse de plano de saúde individual: a importância das características relativas ao mercado de trabalho

Favorite this paper

Os planos de saúde individuais estão se tornando cada vez mais difíceis de serem adquiridos no mercado. Porém, com a população envelhecendo e o índice de desemprego em alta, esse tipo de plano pode ser uma opção. O estudo avalia fatores que influenciam a demanda de plano de saúde individual (PSI). Contribuindo para aprimorar a literatura sobre o tema, são avaliadas características dos indivíduos associadas ao mercado de trabalho. Usando o Suplemento Saúde da PNAD 2008, foi estimado um modelo Probit para analisar como as algumas variáveis afetam a probabilidade de ser beneficiário de PSI. Os resultados mostram que a demanda por PSI é impulsionada principalmente pela probabilidade de ocorrência de eventos adversos em saúde: possuir uma ou mais doenças crônicas aumenta a probabilidade de ter PSI em 1,1% e ter ao menos uma internação nos últimos 12 meses aumenta 0,5%. Para cada criança com 5 anos ou menos na família, a probabilidade aumenta 0,4%. Com relação às variáveis de mercado de trabalho, chefe da família com vínculo empregatício reduz a probabilidade de ter um PSI em 0,6% e chefe da família autônomo reduz em 1,2%. Comparados a quem trabalha na Indústria, quem trabalha na Agricultura tem probabilidade 0,3% menor de possuir PSI, em Serviços a probabilidade aumenta 0,8% e na Construção Civil há queda de 1,2%. Um ano a mais de estudo aumenta a probabilidade em 0,5% e um ano a mais de idade aumenta em 0,2%. O maior efeito marginal negativo é da variável que indica se a pessoa é beneficiária de plano de contratação coletiva, com redução da probabilidade de possuir PSI de 22,2%. O maior efeito positivo é para quem o rendimento mensal familiar per capita é de mais de 5 salários mínimos (SM), cuja probabilidade de ter PSI é 6,23% superior à de quem o rendimento familiar é de mais de 1 até 2 SM. O impacto positivo de variáveis relacionadas a saúde e idade indica uma possível presença de seleção adversa, que constitui um desafio para a sustentabilidade desse tipo de plano. Além disso, o crescimento fica limitado pela expansão dos planos coletivos, que cobrem um quarto da população brasileira. Mas os resultados indicaram fatores positivos, como a renda e os setores econômicos cujos empregados tem maior probabilidade de adquirir em PSI. Tais fatores são relevantes na busca por soluções que possam garantir que esse mercado se renovando para crescer.