CONSTRUÇÃO DE UMA FERRAMENTA DE AVALIAÇÃO DOS FACILITADORES DE AMBIENTE VIRTUAL: PARTICIPAÇÃO E EQUIDADE

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Relato de Experiência
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Resumo

Introdução: o Programa Mais Médicos para o Brasil (PMMB) inclui em sua trilha formativa o Curso de Especialização em Medicina de Família e Comunidade (CEMFC), oriundo de várias instituições de ensino do país, envolvendo entre os educadores, a participação de facilitadores que atuam diretamente com os profissionais do programa, orientando tanto nas atividades síncronas quanto assíncronas. De forma geral, cada facilitador/a é responsável pelo acompanhamento acadêmico de 10 a 12 médicos especializandos, em ambiente virtual, compondo 8h semanais de atividades, seja nos momentos síncronos quanto assíncronos. Objetivos: este relato de experiência objetiva descrever o desenvolvimento de uma ferramenta de avaliação dos facilitadores do CEMFC, de uma instituição de ensino superior, como parte do processo de aprimoramento da formação de educadores à distância, na perspectiva de ampliar a reflexão, participação e equidade. Relato: o processo de desenvolvimento da ferramenta de avaliação dos facilitadores se deu nas seguintes etapas: Fase 1 – A coordenação do curso composta por quatro pessoas, cinco supervisores de atividades assíncronas e três coordenadores das atividades síncronas identificaram os atributos essenciais de análise do trabalho dos facilitadores em ambos os momentos, do ponto de vista quanti e qualitativo, por meio de rodadas sequenciais de reuniões do grupo, à distância, sob a luz da legislação do PMMB, do projeto pedagógico do curso e das revisão de literatura sobre o assunto. Fase 2 – Elaboração dos formulários de avaliação, em número de três, contendo: a) a auto- avaliação, composto de documento descritivo, onde os facilitadores refletiram sobre três perguntas e a desenvolveram de forma narrativa – Onde estou? Como estou? Para onde eu vou?; b) formulário de avaliação dos supervisores contendo 5 domínios, respondidos no formato tipo likert (1 - Discordo totalmente / Desempenho insuficiente, 2 - Discordo / Desempenho abaixo do esperado, 3 - Concordo / Desempenho adequado, 4 - Concordo totalmente / Desempenho excelente), além de três perguntas adicionais qualitativas acerca de potencialidades, fragilidades, sugestões de melhorias e recomendações; c) formulário de avaliação dos coordenadores de atividades síncronas, contendo oito domínios no formato tipo likert, também adicionadas as mesmas perguntas descritivas anteriores. Fase 3 – Aplicação da avaliação piloto a 10 dos 42 facilitadores do CEMFC, por meio de seleção aleatória, onde todos os formulários se encontravam em uma área específica dentro do ambiente virtual. Estes facilitadores foram avaliados no período dos três primeiros meses de atividades do curso. Fase 4 – Análise das avaliações de forma quantitativa, mediante a adoção dos critérios de insatisfatório quando o índice de avaliação foi abaixo de 50% do total esperado, zona de alerta entre 51 a 75% e satisfatório acima de 75%. As avaliações descritivas foram categorizadas por grupos de semelhanças. Todas as avaliações foram compiladas pela coordenação pedagógica do curso, auxiliada pelas ferramentas tecnológicas desenvolvidas pela equipe de tecnologia da informação do curso. Fase 5 – Devolutiva para os facilitadores de sua avaliação de forma individual, mediante documento encaminhado por correio eletrônico da plataforma, contendo o objetivo da avaliação, os requisitos que eles foram avaliados, a síntese de sua pontuação em cada item e os grupos descritivos da análise qualitativa de seu desempenho, com possibilidade de interação com seus supervisores/coordenadores ao final dos encontros semanais, de forma respeitosa e contextualizada. Reflexão: durante a prática de formação em saúde, em especial no ambiente virtual, exige-se o desenvolvimento de atributos que vão além das competências profissionais da área, como o conhecimento da linguagem virtual, dos recursos utilizados no processo ensino- aprendizagem, da disciplina dos cumprimentos de prazos para as interações à distância e da necessidade de estímulos constantes aos estudantes para que sintam sempre encorajados a manterem em dias seus estudos e atividades formativas e avaliativas, em meio a suas intensas atividades assistenciais do PMMB. Portanto, avaliar o desempenho dos facilitadores de maneira participativa e inclusiva, constitui em importante etapa para o desenvolvimento educacional do formador, assim como reverbera na potencialização da formação do educando, mediante a ampliação dos saberes e práticas dos e das educadoras. A ferramenta elaborada pela equipe gestora do curso constitui-se em um momento de olhar para a própria ação no que tange o preparo de seus protagonistas e de como se obter um interesse contínuo pelo melhor desempenho dos mesmos, reconhecendo-os como sujeitos com autonomia e saberes. Estes fatos se reafirmaram no grande entusiasmo demostrado pelos coordenadores de atividades quanto pelos especializandos, desde a concepção do processo até a etapa de devolutiva da síntese das avaliações. Até o presente momento não se analisou a auto avaliação e como esta poderá ser incorporada na síntese das devolutivas aos facilitadores, aprofundando a perspectiva da participação e da equidade. Conclusões/Recomendações: após a exitosa experiência, a coordenação do curso passará a adotar de forma sistemática e trimestral, a avaliação dos facilitadores, incorporando-a como processo formativo do educador e sempre de forma atenta para aprimorá-la nos aspectos que ainda possam não ter sido contemplados, incluindo por exemplo a auto-avaliação destes educadores à distância. Importante frisar também que a avaliação por parte dos estudantes em relação ao seu facilitador também deve se constituir em um acréscimo essencial para completar esta matriz avaliativa. Reconhece-se as potências de práticas transformadoras na qualificação técnica e humanizada dos profissionais que atuam no SUS, garantindo um cuidado integral, inclusivo e equitativo

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Mais Médicos para o Brasil. Resolução PMMB nº 379, de 2 de agosto de 2023. Dispõe sobre diretrizes para atuação e formação no âmbito do Programa Mais Médicos para o Brasil. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2023.

CUNHA, Inara Pereira da et al. Expectativas acerca das atividades síncronas na formação a distância do Programa Mais Médicos para o Brasil. Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Rio de Janeiro, v. 19, n. 46, p. 1-12, 2024.

MARIN, Maria José Sanches et al. Avaliação qualitativa de um curso de especialização multidisciplinar em Saúde da Família na modalidade a distância. Revista de APS, Juiz de Fora,v. 22, n. 2, p. 1-14, 2019. Disponível em: Revista de APS

ROCHA, C. A. G. et al.  Educação permanente em saúde: promovendo equidade no atendimento a populações vulneráveis. REVISA, 14(1), 1276–1294, 2025.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal do Pará
Eixo Temático
  • 1 - Docência e Preceptoria na perspectiva da educação antirracista, equidade e inclusão
Palavras-chave
avaliação
tutoria
educação à distância
Programa Mais Médicos
equidade