A APROPRIAÇÃO E O USO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS PELOS PROFESSORES NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL APÓS O ENSINO REMOTO EMERGENCIAL

- 216051
Resumo Expandido - Trabalho em Andamento
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Abstract
A APROPRIAÇÃO E O USO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS PELOS PROFESSORES NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL APÓS O ENSINO REMOTO EMERGENCIAL INTRODUÇÃO As Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) transformaram o modo como nos relacionamos, comunicamos e interagimos. No entanto, apesar de vivermos em uma cultura digital, ainda há um descompasso entre a velocidade das inovações tecnológicas e a lentidão das mudanças educacionais, que muitas vezes seguem modelos tradicionais, lineares e hierárquicos. Assim, é fundamental que a escola se alinhe às demandas contemporâneas, formando estudantes críticos, éticos, criativos e responsáveis diante das TDIC. Para isso, essas tecnologias devem ser integradas de forma estruturante, promovendo práticas pedagógicas colaborativas, participativas e centradas no protagonismo discente. Nesse cenário de mudanças e exigências formativas, a pandemia da COVID-19 impulsionou a inserção das TDIC no ambiente escolar, ao fechar de modo repentino as escolas e demandar dos professores a intensificação do uso dessas tecnologias na mediação do processo educativo, por meio do Ensino Remoto Emergencial (ERE). Diante disso, surgem alguns questionamentos sobre os desdobramentos dessa experiência para o ensino presencial atual. Assim, constitui-se como problema de pesquisa a seguinte indagação: como os professores articulam a experiência do ERE com a apropriação e o uso das tecnologias digitais na sua prática pedagógica no ensino presencial? O presente estudo é fruto de uma pesquisa de mestrado em andamento que tem como objetivo compreender como os professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental da rede pública de São Francisco do Conde se apropriam e fazem uso das tecnologias digitais na sua prática pedagógica, após a experiência com o ERE. Para tanto, iremos analisar as percepções dos professores em relação à apropriação e ao uso que fazem, hoje, das TDIC nas práticas pedagógicas. Para compreendermos os impactos do ERE no uso atual das TDIC no ensino presencial, é necessário refletir criticamente sobre a relação entre educação, tecnologia e cultura digital. As TDIC ampliam o acesso à informação, à comunicação e à interação, criando novas formas de aprendizagem (Kenski, 2003) e possibilitando a ressignificação das práticas pedagógicas conectadas ao cotidiano dos sujeitos. Nesse contexto, a aprendizagem se torna mais significativa quando os alunos participam ativamente, encontram sentido nas atividades e há diálogo sobre as propostas educativas (Moran, 2018). Para isso, é fundamental integrar criticamente as TDIC ao currículo, promovendo práticas pedagógicas dinâmicas, flexíveis e conectadas às vivências dos alunos (Mill, 2012; Bonilla, 2005), o que exige repensar metodologias, interações e o próprio currículo escolar (Moran, 2018). Vale destacar que a apropriação das tecnologias pelos professores deve ir além do uso técnico, exigindo uma postura crítica e intencional. Sem essa intencionalidade, as TDIC perdem seu potencial de transformação e acabam por reforçar práticas tradicionais (Pretto, 1996). Quando utilizadas de forma crítica e criativa, elas alinham o conteúdo escolar às experiências dos alunos, tornando a aprendizagem mais significativa (Nonato; Sales; Cavalcante, 2021). Nesse sentido, a formação continuada é essencial para que os docentes transfiram sua fluência digital pessoal ao contexto educacional, promovendo um ensino contextualizado e alinhado às exigências da cultura digital. Marcondes (2021) reforça que essa formação é construída ao longo do tempo, com base nas vivências escolares, e deve ser assumida como responsabilidade do próprio professor, que precisa mobilizar-se continuamente nesse processo de apropriação tecnológica. Diante desse cenário, cabe destacar que a pandemia da COVID-19 intensificou a urgência da apropriação das TDIC pelos professores, que precisaram aprender a utilizá-las intensivamente para garantir a continuidade do ensino. Nonato, Sales e Cavalcante (2021) destacam que, durante o ERE, essas tecnologias foram fundamentais para adaptar práticas pedagógicas antes distantes das dinâmicas do ciberespaço e proporcionar mudanças na relação com os tempos, espaços e na construção do conhecimento. Com o retorno ao ensino presencial, torna-se essencial analisar os desdobramentos dessa vivência, observando como os docentes vêm se apropriando e integrando as TDIC às suas práticas pedagógicas. METODOLOGIA A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com o Estudo de Caso típico como método, por permitir a investigação aprofundada de um fenômeno contemporâneo em seu contexto real (Yin, 2015). Os sujeitos são professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental da rede pública municipal de São Francisco do Conde (BA). Para a coleta dos dados, foram utilizados um questionário on-line com perguntas abertas e fechadas, enviado por e-mail e uma entrevista semiestruturada realizada por ligação telefônica. A análise desses dados está sendo conduzida com base na Análise de Conteúdo, conforme Bardin (2016), visando interpretar os discursos e compreender os significados atribuídos pelos participantes. Além disso, também foi realizada uma pesquisa bibliográfica e exploratória, com base em Gil (2010), para levantar e analisar produções sobre o uso TDIC nas práticas pedagógicas. RESULTADOS PARCIAIS E DISCUSSÃO As análises iniciais da pesquisa em andamento revelam que a experiência com o Ensino Remoto Emergencial (ERE) provocou diferentes desdobramentos na apropriação e uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) no retorno ao ensino presencial. Um professor, por exemplo, relatou ter incorporado as TDIC à sua prática pedagógica por meio de metodologias mais dinâmicas e interativas, utilizando plataformas como Google Docs, Wordwall e Mentimeter, com foco em uma aprendizagem ativa e no protagonismo estudantil. Segundo Moran (2018), as metodologias ativas valorizam o envolvimento direto, participativo e reflexivo dos alunos, promovendo experimentação e criação com a mediação do professor. Em contrapartida, outra professora, embora tenha utilizado recursos digitais no ERE, atualmente enfrenta dificuldades devido à falta de infraestrutura tecnológica na escola. Essa realidade tem feito com que a docente utilize vídeos do YouTube e apresentações em slides apenas para apresentar os conteúdos escolares, além de adotar a computação desplugada com atividades impressas para os alunos. Isso evidencia uma prática mais instrumental e pouco interativa no ensino, o que dificulta a consolidação de uma aprendizagem mais ativa e colaborativa. Além disso, demonstra a dificuldade de manter as mudanças iniciadas no ERE, embora haja esforço da docente em adaptar o planejamento pedagógico às condições atuais. Esses dados indicam que a continuidade do uso das TDIC não depende só da iniciativa dos professores, mas também de políticas públicas que garantam infraestrutura e formação contínua, promovendo um uso crítico e criativo das tecnologias na escola. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os dados preliminares deste estudo demonstram que, enquanto alguns professores conseguiram ressignificar a experiência vivida no Ensino Remoto Emergencial (ERE) e integrar as Tecnologias da Informação e Comunicação (TDIC) à prática pedagógica no ensino presencial, outros enfrentam sérias limitações, relacionadas à infraestrutura e às condições materiais. Dessa forma, refletir sobre como os professores se apropriam das TDIC após a pandemia da COVID-19 é essencial para compreender os efeitos do ERE no ensino atual e os desafios que ainda persistem na efetiva integração dessas tecnologias à prática pedagógica. A pesquisa reafirma a importância de investir em formação continuada que possibilite o uso crítico e criativo das TDIC, articulado às vivências dos estudantes e às demandas da cultura digital, além de oferecer subsídios para repensar práticas pedagógicas, políticas educacionais e estratégias formativas diante dos desafios e possibilidades do cenário pós-pandêmico. REFERÊNCIAS BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo, SP: Edições 70, 2016. BONILLA, Maria Helena Silveira. Escola Aprendente: para além da sociedade da informação. Rio de Janeiro: Quartet, 2005. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. KENSKI, Vani Moreira. Aprendizagem mediada pela tecnologia. In: Revista Diálogo Educacional, Curitiba, v. 4, n.10, p.47-56, set./dez. 2003. Disponível em: http://paginapessoal.utfpr.edu.br/kalinke/novas-tecnologias/pde/pdf/van…. Acesso em 18 mar. 2025. MILL, Daniel. Docência virtual: uma visão crítica. Campinas: Papirus, 2012. MORAN, José Manuel. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais profunda. In: BACICH, Lílian; MORAN, José (Org.) Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso: 2018. MARCONDES, Rosana Maria Santos Torres. As tecnologias Digitais de Informação e Comunicação e as metodologias ativas na prática docente: reflexões sobre o uso da plataforma Google Workspace for Education. 2021. 142 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, 2021.Disponível em: http://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/15888. Acesso em 20 mar. 2025. NONATO, Emanuel do Rosário Santos; SALES, Mary Valda; CAVALCANTE, Társio Ribeiro. Cultura digital e recursos pedagógicos digitais: um panorama da docência na Covid-19. Práxis Educacional, [S. l.], v. 17, n. 45, p. 8-32, 2021. DOI: 10.22481/praxisedu.v17i45.8309. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/index.php/praxis/article/view/8309. Acesso em: 03 abr. 2025. PRETTO, Nelson. Escola sem/com futuro. Campinas: Papirus, 1996. YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 5 ed. Porto Alegre, RS: Bookman, 2015.

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