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As mudanças climáticas tem sido pauta das discussões internacionais desde a última década do século XX. Associada à políticas neoconservadoras a pauta ambiental tem sido alvo de retrocessos e acordos e tratados tem sido desrespeitados em diferentes partes do Planeta. Em governos conservadores o meio ambiente tem cedido espaço para o agronegócio e produzido efeitos que contribuem para o desequilíbrio ambiental, como argumenta Moll (2015). As características climáticas ainda apresentam fenômenos cada vez mais violentos: enchentes, ciclones, calor prolongado, tufões. Nesse contexto, refletir sobre o que acontece no ambiente escolarizado tem sido um dos desafios tanto pelo aspecto humano das sensibilidades que envolve estudantes e docentes quanto pelo aspecto físico e estrutural dos prédios em que funciona a escola. No Brasil, no Estado do Rio Grande do Sul, o início do mês de maio registrou a maior enchente desde 1941. A enchente transformou a vida da população e os impactos afetaram diversas outras áreas como a saúde, a educação, a economia e a infraestrutura urbana. (GUITARRARA, 2024). Para Trucollo (2024) foram mais de 10 mil crianças e adolescentes que ficaram desabrigados, e consequentemente sem aula. Além disso, a situação do estado foi considerada tão ou mais grave do que a ocorrida durante a pandemia, pois, muitos professores e alunos tiveram suas residências afetadas, ficaram sem luz, internet e água. Para Torquato (2024) as enchentes danificaram 530 escolas, impactando 216.883 estudantes matriculados. Cerca de 84 escolas funcionaram como abrigo. A pesquisa, financiada pela FAPERGS compreende um estudo histórico de cunho analítico documental situado no campo da memória e da História da Educação alicerçada na perspectiva sociocultural, como argumenta Chartier (2002). Investiga aspectos socioculturais da escola na capacidade de resposta e resiliência a desastres naturais, como possibilidade de compreender pelas narrativas como os sujeitos se constituíram identidades associadas às memórias ressignificadas e de novos contextos sociais emergentes neste período adverso. Nesse sentido, analisa memórias de uma escola que funcionou como abrigo, no período das catástrofes climáticas de 2024. Trata-se da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, de Novo Hamburgo. A proposta busca contribuir para refletir sobre as diferentes formas de organização e o modo como a sociedade gaúcha respondeu ao cenário das cheias de 2024, sobretudo, que experiencias é possível rememorar e de que modo podem colaborar para projetar “inéditos viáveis”, no dizer freireano da experiencia vivenciada? Ainda se vale de procedimentos analíticos documentais, a partir do acesso a documentos escritos e narrativas orais. Quanto aos estudos de memória, as narrativas de História Oral registradas pelo grupo de Mídias da instituição, recuperam impressões de estudantes, professores e também da comunidade, que se voluntariou para atuar, auxiliar e contribuir para que o cotidiano nas escolas que serviram de abrigos durante a situação análoga das enchentes de 2024, bem como de sujeitos abrigados nesse período. A instituição funcionou como abrigo temporário, por mais de um mês, contemplando mais de 200 pessoas e mais de 100 animais. Houve a rápida mobilização de estudantes e profissionais da educação além de envolver outras instituições de apoio, como: Centro de Tradições Gaúchas, Organizações Não Governamentais e a solidariedade da própria comunidade local que auxiliou com doação de mantimentos, medicações, trabalho voluntário, e especialmente, com a escuta sensível do outro neste momento adverso. Entende-se que pela narrativa o passado adquire um sentido prático, possível de ressignificar ações empreendidas no tempo contribuindo para recompor e projetar futuros socioeducativos para convivência em novos contextos. Edgar Morin (2000) acredita na educação planetária da condição humana, na qual a tarefa de educar o humano, para valorização do hibridismo da sua condição cultural de organização, é o principal desafio, porque exige sentido em ampliar os horizontes filosóficos da racionalidade. Atualmente, a educação vive a emergência de um momento de reformulações no qual o espaço pedagógico possível, para perceber a relação e o processo de aprendizagem, se constitui a partir da reflexão, da ação e da análise do envolvimento de cada um dos membros da comunidade escolar. Para toda instituição que pretende formar cidadãos atuantes e transformadores da realidade se faz necessário um olhar apurado frente à postura ética, humana e social. Um olhar que participe e que enfatize a construção coletiva. As aprendizagens desenvolvidas nesse período de abrigamento, envolvem as experiências de estudantes, professores e também da comunidade, que se voluntariou para atuar, auxiliar e contribuir para que o cotidiano nos abrigos fosse percebido de outra forma pelos sujeitos naquela situação análoga. Referências: CHARTIER, Roger. À beira da falésia: a história entre incertezas e inquietude/ trad. RAMOS, Patrícia Chittoni, Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 2002. GUITARRARA, Paloma. "Enchentes no Rio Grande do Sul"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/enchentes-no-rio-grande-do-sul.h…. Acesso em 07 de novembro de 2024. MOLL, Roberto. Diferenças entre neoliberalismo e neoconservadorismo: duas faces da mesma moeda? [S. l.]: Unesp, 2015. Disponível em: <http://unesp.br/semdiplomacia/opiniao/2015/43> Acesso em: 11 maio 2016. » http://unesp.br/semdiplomacia/opiniao/2015/43> MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; DF Brasília, 2000. TORQUATO, Bruno. Enchentes no RS danificam 40% das escolas da rede estadual e afetam mais de 200 mil alunos. CNN Brasil. 15 maio 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/enchentes-no-rs-danificam-40-das-…. TRUCCOLO, Adriana Barni. O brincar com materiais não estruturados como aliado à saúde mental de crianças em situação de abrigo no RS. Peer Review, v. 6, n. 12, 2024, p. 344–351. https://doi.org/10.53660/PRW-2327-4309
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