Neoconservadorismo e Plataformização Educacional no Brasil e na Colômbia: O Discurso da Paz e as Violências Simbólicas na Educação para Mulheres Negras

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Abstract
A educação ocupa um lugar central nas disputas ideológicas e políticas da atualidade, sendo influenciada pelas dinâmicas do neoconservadorismo e da plataformização educacional. No Brasil e na Colômbia, essas tendências moldam os atuais sistemas educacionais de modo a reproduzir desigualdades estruturais, com impactos significativos sobre a educação das mulheres negras. Considerando este contexto, a presente pesquisa tem como objetivo analisar como o discurso da paz, aliado ao neoconservadorismo e à plataformização educacional, reforçam as violências simbólicas (Bourdieu, 1989) que invisibilizam e marginalizam essas mulheres. A pesquisa, de natureza qualitativa, exploratória e bibliográfica, utiliza o referencial teórico do Materialismo Histórico-dialético para examinar as contradições do neoconservadorismo e da plataformização educacional, destacando seus efeitos na educação das mulheres negras. Neoconservadorismo e Educação O neoconservadorismo, cujas origens remontam aos Estados Unidos da década de 1960, articula críticas ao liberalismo social com a defesa de valores tradicionais e políticas de austeridade fiscal (Moll, 2015). No campo da educação, essa corrente ideológica visa fortalecer e promover a mercantilização do ensino, a padronização curricular e uma suposta neutralidade ideológica que, na prática, negligência desigualdades estruturais de gênero, classe e raça. Na Colômbia, o discurso conciliador do pós-acordo de paz prioriza a desmobilização de grupos armados, mas marginaliza demandas por justiça social para grupos historicamente excluídos, como as mulheres negras (Arango et al., 2020). As reformas educacionais em ambos os países refletem essas tensões. No Brasil, políticas educacionais de cunho conservador restringem debates críticos sobre temas como racismo estrutural e questões de gênero, promovendo uma visão homogênea e conservadora da educação. Na Colômbia, o discurso de neutralidade ideológica, no contexto do pós-acordo de paz, também silencia desigualdades estruturais, dificultando a inclusão efetiva de mulheres negras no sistema educacional (Arango et al., 2020). Navas; Casanova (2013) argumentam que, sob a influência do neoconservadorismo, os sistemas educacionais privilegiam formas de conhecimento alinhadas aos interesses capitalistas. Os autores destacam que as ações de avaliação e os sistemas de competências, resultam no abandono de uma perspectiva humanista e progressista para a educação. Em seu lugar, emerge uma estrutura de poder e controle que reforça a "verdade" legitimada por discursos economicistas, consolidando uma lógica excludente e tecnocrática, disseminada pelo conservadorismo e a plataformização educacional. A plataformização educacional, sob o controle e domínio de grupos privados, é apresentada como solução para democratizar o ensino, mas frequentemente reforça desigualdades existentes (Adrião; Domiciano, 2020). No Brasil, a crescente dependência de plataformas digitais prioriza eficiência econômica em detrimento da qualidade pedagógica. Isso resulta na padronização curricular, desvalorização da diversidade e precarização das condições de trabalho docente, como analisam Adrião; Domiciano (2020). Na Colômbia, assim como no Brasil, iniciativas de tecnologia educacional enfrentam desafios como infraestrutura inadequada e descompasso entre as ferramentas disponíveis e as necessidades de comunidades vulneráveis. Essas desigualdades tecnológicas perpetuam a exclusão das mulheres negras e ampliam lacunas no acesso à educação digital. O discurso da paz, frequentemente manipulado, mascara relações de poder e perpetua violências simbólicas como imposições culturais e ideológicas que legitimam a dominação (Bourdieu, 1989). No contexto educacional, isso se manifesta na invisibilidade das mulheres negras em conteúdos acadêmicos e culturais, perpetuando um sistema de ensino que reforça estereótipos raciais e de gênero (Ribeiro, 2017). A falta de reconhecimento das contribuições intelectuais das mulheres negras no meio acadêmico, promovida também pela branquitude e patriarcado, reforça o ambiente de exclusão. Ao mesmo tempo, o discurso de paz denota reconciliação, mas ignora as lutas por justiça social e reparação histórica. Com isso, a educação, que deveria ser caminho para a transformação, reproduz as desigualdades. Conclusão O neoconservadorismo, ao defender uma suposta neutralidade ideológica, e a plataformização educacional, ao priorizar interesses mercantis, acabam por reforçar as desigualdades de raça e gênero na educação, no Brasil e na Colômbia. O discurso de paz, embora promova a ideia de conciliação, acaba silenciando as demandas por justiça social das mulheres negras, aprofundando a invisibilidade histórica e acadêmica que enfrentam. Diante disso, uma educação humanista, crítica, inclusiva e emancipatória se apresenta como caminho necessário para enfrentar essas contradições e promover uma mudança radical. Movimentos sociais e iniciativas locais são fundamentais nesse processo, abrindo caminho para um modelo educacional igualitário. Analisar esses processos revela a necessidade urgente de respostas críticas que resgatem o caráter humanista e inclusivo da educação, desafiando as estruturas de poder que perpetuam exclusões e violências simbólicas. REFERÊNCIAS: ADRIÃO, Theresa; DOMICIANO, Cássia Alessandra. Novas formas de privatização da gestão educacional no Brasil: as corporações e o uso das plataformas digitais. Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 14, n. 30, p. 670-687, set./dez. 2020. Disponível em: http://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde. Acesso em: 02 fev 2025 ARANGO, Luz Gabriela; VILLEGAS, María; GONZÁLEZ, Patricia. Las mujeres negras en la construcción de paz en Colombia: desafíos y resistencias. In: FIGUEROA, Mónica G. Moreno; WADE, Peter (Org.). Contra o racismo: mobilização para a mudança social na América Latina. Latin America Research Commons, 2023. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/jj.3355124. Acesso em: 2 fev. 2025. BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 1. ed. Lisboa: DIFEL, 1989. Revisão: Fernando Portugal. Disponível em: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/426/o/BOURDIEU Pierre._O_poder_simb% C3%B3lico.pdf. Acesso em: 02 fev. 2025 NAVAS, Julián Luengo; CASANOVA, Geo Saura. La performatividad en la educación: la construcción del nuevo docente y el nuevo gestor performativo. REICE. Revista Iberoamericana sobre Calidad, Eficacia y Cambio en Educación, Madrid, v. 11, n. 3, p. 139-153, 2013. Disponível em: C:\Users\sumal\OneDrive\Documentos\A Política De Cotas Raciais Nos Concursos Públicos Para A Política Militar No Paraná .zipAcesso em: 16 jan. 2024. MOLL, Roberto. Diferenças entre neoliberalismo e neoconservadorismo: duas faces da mesma moeda? [S.l.: s.n.], [s.d.]. Disponível em: chrome- extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://ieei.unesp.br/portal/wp- content/uploads/2016/11/Diferen%C3%A7as-entre-neoliberalismo-e- neoconservadorismo.pdf. Acesso em: 05 jan. 2025. RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? São Paulo: Editora Pólen, 2017. Disponível em: chrome- extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.sindjorce.org.br/wp- content/uploads/2019/10/RIBEIRO-D.-O-que-e-lugar-de-fala.pdf. Acesso em: 18 jan. 2025.

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  • Education Policy and Reform Research
Keywords
Neoconservadorismo
mulheres negras
plataformização educacional
violencias simbolicas.