EDUCAÇÃO NA REGIÃO AMAZÔNICA: DANDO VOZ AOS(AS) SILENCIADOS(AS) PELO NEOCONSERVADORISMO UNIVERSITÁRIO

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O presente resumo é um recorte da dissertação de mestrado intitulada Discursos de preconceitos acerca de uma educação para a diversidade na Universidade: um estudo de caso. O campo de estudo sobre diversidade é extenso, desse modo, o trabalho tem como recorte a diversidade de gênero e sexualidade no ambiente da universidade. Logo, a relevância de se discutir essa temática em um espaço acadêmico é emergencial nos dias de hoje. Nesse contexto, Fernando Seffner e Carlos Barzotto (2024) discorrem que o assunto sobre diversidade de gênero e sexualidade ganhou visibilidade no Brasil há mais de duas décadas. Para os autores “[...] A cultura escolar foi tradicionalmente construída em torno de pauta conservadoras em gênero e sexualidade, bem como em torno da branquitude e dos valores da religião católica. Isso se viu tensionado com o ingresso, e a visibilidade, cada vez mais ampla de crianças e jovens LGBTQIAPN+, que, desde cedo, realizam experimentações em torno dos marcadores gênero e sexualidade, tendo a escola como local de exercício dessas práticas [...] (p. 14-15). É dando vozes aos(as) silenciados(as) que estudiosos(as) da área vêm rompendo o neoconservadorismo universitário. Desse modo, indo na contramão do neoconservadorismo, a dissertação é um escrito que evidencia os discursos preconceituosos em um centro universitário no município de Tefé-AM, em torno da discussão de uma educação para a diversidade em um contexto de violência e discriminação. Na construção do texto, primeiramente se fez uma pesquisa bibliográfica; na sequência, a fim de detectar quais seriam os discursos de preconceito sofridos pelos (as) acadêmicos, foi realizada uma pesquisa de campo. Nesse contexto de discussão, a questão de diversidade, gênero e sexualidade em um espaço universitário teve como fundamentação teórica textos de Carvalho (2023), Foucault (1988) e Rita Machado (2014). Nas discussões, o texto apresenta situações de preconceito vividos por pessoas no contexto da diversidade de gênero e sexualidade na universidade. A pesquisa é um estudo de caso, que tem como interlocutores(as) acadêmicos (as) que estudam no centro acadêmico objeto da pesquisa. Para identificar quais os preconceitos sofridos por essas pessoas no ambiente universitário, foram utilizados os seguintes procedimentos metodológicos: questionário eletrônico e grupo focal. O questionário foi distribuído no centro universitário para serem respondidos pelos interessados, com perguntas abertas e fechadas. Em seguida, com outros(as) acadêmicos(as) foi constituído um grupo focal, com o qual foram promovidos dois encontros. Esses encontros tiveram participantes representantes do Clube das Manas e da comunidade LGBTQIAPN+, ambos membros pessoas da comunidade acadêmica do CEST/UEA. Dessa maneira, com as análises do material coletado durante a pesquisa de campo, foi identificado que o local pesquisado é um ambiente preconceituoso. A participação dos(as) interlocutores(as) foi essencial no processo da pesquisa. É dessa forma de dar vozes aos(as) silenciados(as) que Michael Foucault (1988, p. 9), observa que, “[...] no espaço social, como no coração de cada moradia, um único lugar de sexualidade reconhecida [...]”. No texto, buscamos com as análises e discussões teóricas, mostrar os preconceitos vividos dentro de um centro universitário no interior do Amazonas, com situações de desrespeito a pessoas que frequentam o local. Assim, acreditamos que o neoconservadorismo continua tendo grande influência no ensino na Universidade, uma vez que resultados da pesquisa mostram que a temática diversidade de gênero e sexualidade não é discutida nesse espaço. Para que isso aconteça, é preciso que esses seres humanos alvos de preconceito sejam visibilizados e não apagados, portanto, precisamos de “[...] uma educação que respeite a diversidade [...]” (MACHADO, 2013, p. 46). Assim, concluímos: necessitamos de uma educação que vá além, que discursos preconceituosos não encontrem lugar para se multiplicar em um ambiente universitário e que os corpos silenciados que divergem do padrão heteronormativo sejam reconhecidos como humanos, com direito à plena existência. Referências CARVALHO. Celso do Prado Ferraz de. Educação, neoconservadorismo e barbárie em tempos de crise do capital. Cadernos de Pesquisa, São Luís, v. 30, n. 2, abr./jun., p. 271-301, 2023. Disponível em:http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa. Acesso em: 03-02-2025 FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I. A vontade de saber. Tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque 13. ed. Rio de Janeiro, Edições Graal, 1988. MACHADO, Rita de Cássia Fraga. Educação necessária para ir além: Movimento dos Trabalhadores Desempregados do Rio Grande do Sul. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2014. SEFFNER, Fernando, BARZOTTO, Carlos Eduardo. Tira gênero, bota gênero: cultura escolar, diversidade e Desigualdade. Interritórios – | Revista de Educação Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, v.10, n.19, 2024. p. 1-24

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Track
  • Área Temática 3: Gênero , Justiça Social e Diversidade e Religião
Keywords
educação e diversidade, gênero e sexualidade, preconceito, estudo de caso.