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Abstract

AVANÇO DA URBANIZAÇÃO NA AMÉRICA LATINA Países latino-americanos convivem com um crescente movimento de urbanização. Esse fenômeno vem marcando cada vez mais um cenário de esvaziamento do meio rural na América Latina. De acordo com dados do relatório ‘Estado de las ciudades de América Latina y el Caribe’ (2012) elaborado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT), a América Latina é considerada uma das regiões mais urbanizada do mundo, com quase 80% da população residindo nos centros urbanos. Analisando essa questão a partir dos dados populacionais do campo e da cidade organizados pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Movimentos Sociais, Diversidade, Educação do Campo e da Cidade (GEPEMDECC) e pela Rede Latino-americana de Pesquisa em Educação do Campo, Cidade e Movimentos Sociais (Rede PECC MS) recolhidos do World Bank Group, percebemos um processo de migração acelerado da população do campo para as áreas urbanas. Em 2022, houve países que atingiram mais de 90% de residentes em áreas urbanas, por exemplo, o Uruguai com 95,5% e a Argentina com 92,1% de habitantes. Por isso, nos concentramos em interpretar o aumento da migração do campo para cidade e refletir as questões que provocam a saída do(a) camponês(a) para os centros urbanos e os impactos gerados para as populações da América Latina. Segundo dados do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (2012), em 2050 a população urbana da América Latina chegará a 89%. Ou seja, daqui a 25 anos trataremos de comunidades camponesas quase 100% esvaziadas, e isto posto, os problemas socioeconômicos serão elevados, o que não altera apenas o modo de vida de quem migra do campo para cidade, mas também de quem já vive nela. Além de acentuar graves problemas ambientais. Cenário esse que é resultado de um processo histórico de exploração e crescimento do capitalismo globalizado, que vai controlando o nível de população no campo ou na cidade conforme as necessidades do sistema. Marques (2022) já alerta ao debater sobre questões socioambientais, que a degradação ambiental e as desigualdades sociais são fatores que estão interligados e reflexos dos impactos causados pela economia globalizada, economia essa que destroi a natureza, matar e explora povos, produzindo cada vez mais desigualdades com o propósito de atender a demanda dos 10% mais ricos da humanidade em prol de mais acumulação de capital. Neste contexto, as políticas públicas deveriam ser vitais para enfrentamento, a fim de responder aos problemas sociais e atentar a população para os colapsos que enfrentamos, contudo, no sistema capitalista essas são utilizadas como instrumentos de efetivação e reprodução dos seus ideais e intenções, o que gera o avanço e implementação de políticas neoliberais, impulsionando novas dificuldades para a classe trabalhadora do campo e da cidade. Por isso, se faz importante as mobilizações e construções dos movimentos sociais para enfrentar o que o capitalismo globalizado vem implantando. Entre os últimos 32 anos (1990-2022) identificamos pelos dados organizados pelo GEPEMDECC e a Rede PECC MS, que a saída de moradores(as) de áreas camponesas é um fenômeno que atravessa décadas e com tendência de crescimento. Países que em 1990 conseguiram manter a média de 50% de população em cada área, em 2022 mais de 80% da população estava alocada em áreas urbanas, como a exemplo da Costa Rica. Vale destacar que em 1990 já havia países com alta porcentagem de habitantes em áreas urbanas, como o Brasil com 73,922% e Cuba com 73,36%, mas por outro lado não elevaram tanto no decorrer dos 32 anos, em 2022 o Brasil encontrava-se com 87,555 habitantes em áreas urbanas e 12,445 e Cuba com 77,4% em áreas urbanas e 22,6% em áreas rurais. Os dados apresentados evidenciam como o projeto de esvaziamento do campo vai sendo edificado e como isso pode elevar as desigualdades sociais e controle dos territórios camponeses e indígenas pelo capital, provocando o avanço da urbanização e atingindo principalmente o modo de vida de quem mora e trabalha no campo. O relatório da Nações Unidas e Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) (2019) sinaliza que a América Latina como a região mais desigual do mundo, em que os problemas sociais atingem principalmente as áreas rurais e a população negra e indígena. A partir deste fenômeno, complicações que vão surgindo, desde as cidades ficam inchadas até a perda da identidade camponesa. As relações edificadas em várias dimensões entre o campo e a cidade são alteradas. E o campo vai sendo apropriado pelo latifúndio. REFERÊNCIAS GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM MOVIMENTOS SOCIAIS, DIVERSIDADES, EDUCAÇÃO DO CAMPO E DA CIDADE-GEPEMDECC; Rede Latino-americana de Pesquisa em Educação do Campo, Cidade e Movimentos Sociais-Rede PECC MS. População dos países da América Latina e a porcentagem da população de acordo com a sua área de residência no ano 2022. GEPEMDECC/Rede PECC MS, 2022. MARQUES, Luiz. Colapso socioambiental ou mudança de civilização: o decênio decisivo. In: Movimento dos Trabalhadores Sem Terra- MST. Caderno de Formação nº 56: “Subsídios para análise de conjuntura 2022”. MST: São Paulo, 2022. NAÇÕES UNIDAS-NU; COMISSÃO ECONÔMICA PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE-CEPAL.Panorama Social da América Latina 2018. Cepal, 2019. Disponível em: https://www.cepal.org/pt-br/publicaciones/44412-panorama-social-america…. Acesso em: 08 fev. 2025. PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA OS ASSENTAMENTOS HUMANOS -ONU-HABITAT. ONU-HABITAT, 2012. Estado de las ciudades de América Latina y el Caribe 2012 Rumbo a una nueva transición urbana. Disponível em: https://www.mobilize.org.br/midias/pesquisas/estado-das-cidades-da-amer…. Acesso em: 08 fev. 2025.

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  • Área Temática 3: Gênero , Justiça Social e Diversidade e Religião
Keywords
Concentração urbana
Desigualdades sociais
Esvaziamento do campo
Latifúndio
Países latino-americanos.