Este simpósio tem como objetivo discutir como as culturas digitais implicam e são implicadas nos processos educativos digitais. Evidenciamos diversas transformações nos processos educativos e sentimos necessidades de articular práticas curriculares, mas também sociais, qualificando e democratizando os processos de ensinar e de aprender com as tecnologias digitais, para além de uma racionalidade técnica. Consideramos as diferenças em processos educativos digitais para além de uma visão simplista de expansão tecnológica, mas como possibilidade de incluir e qualificar pedagógica-culturalmente nossa condição humana. O primeiro trabalho, intitulado “Movimentos formativos digitais problematizando a arte e as tecnologias”, apresenta dados de uma pesquisa internacional que ofereceu uma formação continuada a professores pré e em-serviço de 4 países diferentes, por meio de ciclos dialógicos online. É uma pesquisa qualitativa, com uma proposta metodológica pós-crítica (Meyer e Paraíso, 2012), que transforma nossos modos de pesquisar em processos criativos individuais e coletivos, ampliando nossos modos de ver, desconstruindo e reconhecendo nossa capacidade de inventar. Traz como resultados a necessidade de desconstruir visões homogeneizadoras, padronizadas e conservadoras frente às imagens digitais, promovendo ressignificações mais inclusivas e democráticas. Enfim, construir e não desistir, o esperançar de Freire (1992). O segundo trabalho, intitulado “Um Olhar para o Colonialismo Digital no Fazer Docente”, visa aprofundar discussões sobre os impactos da colonialidade da cultura digital no fazer e pensar docente, sob as lentes de perspectivas críticas e decoloniais. Ao identificar, interrogar e (buscar)interromper perspectivas eurocêntricas (De Souza; Duboc, 2021) que informam a vida digital e influenciam escolhas didático-pedagógicas, o foco é analisar como processos dialógicos (Freire, 1987) podem contribuir para uma formação docente crítica com relação ao uso de tecnologias em ambientes educacionais. Os dados mostram que a presença de ideologias implícitas, que reforçam noções hegemônicas de ser, saber e fazer no cenário digital, traz possibilidades e desafios para uma atitude docente crítica, dialógica e engajada com propostas pedagógicas participativas, reflexivas e socialmente justas. O terceiro trabalho, intitulado “Saberes digitais docentes: uma análise sobre as competências digitais dos professores da Educação Básica no Brasil", é um recorte de um projeto em andamento, de assessoria técnica e pedagógica para as Redes Estaduais de Educação, da rede nacional de inovação pedagógica - RedeInova. O trabalho em questão, do tipo estudo de caso, tem como objetivo observar se os professores têm se apropriado das facilidades e vantagens que as tecnologias digitais proporcionam para criar ambientes e práticas de ensino mais democráticos, desafiadores e estimulantes. Para isso são analisados os dados do diagnóstico situacional das redes quanto à formação continuada e competências digitais dos docentes e quanto ao uso pedagógico de tecnologias digitais. O estudo pretende contribuir com os processos formativos em relação aos saberes digitais docentes, subsidiando as redes de ensino a viabilizar o desenvolvimento de experiências de aprendizagem adequadas à cultura e às tecnologias digitais da atualidade para professores e estudantes. O quarto trabalho, intitulado “Projeto Mentes Conectadas: Formando Estudantes para a Segurança Digital e Cidadania na Era das Redes Sociais”, apresenta os resultados de uma experiência educativa exitosa ofertada em ambiente digital aos estudantes do terceiro ano dos cursos técnicos do IFMA Barra do Corda. As redes sociais e os sistemas de IA desempenham papéis centrais na sociedade contemporânea. No entanto, autores apontam que esses ambientes digitais podem exacerbar desigualdades preexistentes. Segundo Noble (2018), algoritmos muitas vezes refletem preconceitos sociais, reforçando estereótipos de gênero e raça, enquanto Zuboff (2019), destaca o risco do “capitalismo de vigilância”, no qual dados pessoais dos usuários são explorados para fins comerciais e políticos. Assim, utilizando uma abordagem crítica e reflexiva, fundamentada em autores como Freire (1987), realizamos uma experiência com práticas pedagógicas envolvendo o diálogo e autonomia em ambiente digital, baseadas no conceito de “literacia digital crítica”, visando preparar os estudantes para navegar e analisar criticamente o ambiente digital (Buckingham, 2007). Referências BUCKINGHAM, D. Youth, Identity, and Digital Media. Cambridge: MIT Press, 2007. DE SOUZA, Lynn Mario Trindade Menezes; DUBOC, Ana Paula Martinez. De-universalizing the decolonial: between parentheses and falling skies. Gragoatá, v. 26, n. 56, p. 876-911, 2021. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17ª. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. LIVINGSTONE, S. Children and the Internet: Great Expectations and Challenging Realities. Cambridge: Polity Press, 2008. MEYER, Dagmar Estermann; PARAÍSO, Marlucy Alves. Metodologias de pesquisas pós-críticas em educação. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2012. NOBLE, S. U. Algorithms of Oppression: How Search Engines Reinforce Racism. New York: NYU Press, 2018. ZUBOFF, S. The Age of Surveillance Capitalism: The Fight for a Human Future at the New Frontier of Power. New York: Public Affairs, 2019.