Tecnologias Digitais e Inclusão no Ensino Superior: Perspectivas e Desafios no Brasil e na Espanha

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Abstract

O objetivo do artigo é discutir a inclusão de estudantes com deficiência no ensino superior no Brasil e na Espanha, destacando o uso das tecnologias digitais para a criação de ambientes educacionais inclusivos e equitativos. A investigação de natureza interdisciplinar - educação, psicologia, computação e design – indaga: como abordagens colaborativas e recursos tecnológicos podem contribuir para superar as barreiras de comunicação, interação e socialização enfrentadas por esses estudantes? O contexto da pesquisa se dá no cenário do aumento significativo de ingresso de alunos com deficiência no ensino superior, tanto no Brasil como na Espanha. Camalionte, Kondo e Rocha (2023) evidenciam esse movimento de expansão no Brasil impulsionado por políticas inclusivas, como a Política de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva de 2008 e a Lei nº 12.764/2012, que reconhece o autismo como deficiência para fins de acesso às políticas públicas. Estudo da Fundação Universia (2018), na Espanha, indicava a matrícula de 21.435 estudantes com deficiência nas universidades espanholas, o que representava 1,5% dos estudantes de uma amostra de 65 universidades públicas e privadas. Desse grupo, 55,9% apresentavam diagnóstico de deficiências físicas, 26,5% deficiências psicossociais, intelectuais e de desenvolvimento e 17,6% deficiências sensoriais. Resultados de pesquisas epidemiológicas na Europa (Málaga et al., 2019), assim como os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2023, indicam a prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA) de um em cada 100 nascimentos. No entanto, esses dados estão sendo questionados atualmente, pois os números diferem dependendo da região estudada. De acordo com informações fornecidas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), estimou-se que cerca de 1 em cada 44 crianças apresentou prevalência no estudo realizado (Alcantaud et al., 2016). Portanto, extrapolada essa prevalência para o resto do mundo, isso seria equivalente a aproximadamente 2,27 crianças por 100. As estatísticas também relatam que essa proporção era mais comum em meninos do que em meninas, mas isso mudou e houve um aumento nos últimos anos nos diagnósticos de meninas e mulheres com autismo (Egerton & Carpenter, 2016). Apesar do avanço das políticas, na prática, observa-se que o acesso à universidade não garante a plena participação dos estudantes com deficiência. Estes estudantes enfrentam desafios como: interação com colegas e professores, acompanhamento da dinâmica das aulas e falta de materiais adaptados (Camalionte et al, 2021). Estes fatores podem conduzir à desistência do curso e/ou ao agravamento das formas de discriminação social, o que indica a relevância de estudos e do desenvolvimento de alternativas que visem eliminar barreiras que impedem o desenvolvimento integral desses estudantes na universidade. As Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) favorecem a inclusão educacional por suas possibilidades de adaptação às necessidades específicas dos estudantes. No entanto, a falta de preparo dos professores e a inadequação de muitas dessas tecnologias ainda representam desafios para uma inclusão efetiva (Fernández-Batanero et al., 2022). Para os autores, as práticas e os sistemas de ensino na universidade precisam ser revisados para garantir a participação de todos, com atenção especial à preparação dos docentes para interação com a diversidade de alunos e uso de tecnologias assistivas. Os resultados indicam um baixo conhecimento dos professores sobre materiais acessíveis, o que pode comprometer a inclusão e contribuir para a evasão de estudantes com deficiência no ensino superior. Nesse sentido, nossas pesquisas se voltam para o desenvolvimento de tecnologia educacional que favoreça a aprendizagem de professores universitários sobre a inclusão no ensino superior, particularmente sobre o autismo. Foi criado um jogo – analógico e digital – que promove o conhecimento sobre políticas públicas, conceitos sobre o autismo, adaptações pedagógicas, entre outras informações que buscam contribuir para uma ampla discussão e consequente melhoria dos processos de inclusão no ensino superior (Alves, Alonso & Paz, 2023). Seu desenvolvimento contou com a participação de estudantes com autismo, favorecendo o protagonismo desses estudantes e aproximando a tecnologia de suas reais necessidades (Hostins; Alves; Oliveira, 2024). Em etapa mais avançada da pesquisa busca-se a adaptação desse recurso educacional para atender diferentes contextos culturais — Brasil e Espanha — mediante colaboração entre pesquisadores dos dois países. Essa abordagem transcultural busca a adequação do jogo à diferentes realidades acadêmicas, a implementação de estratégias pedagógicas inclusivas, a ampliação de sua aplicabilidade e impacto e a interação na formação docente internacional. Espera-se que os resultados do estudo fortaleçam a compreensão sobre a inclusão de alunos com TEA no ensino superior e promovam práticas mais acessíveis e equitativas, com potencial de expansão para outros países. REFERÊNCIAS Alcantaud, M.A., Alonso-Esteban, Y., & Mata-Iturralde, S. (2016) Prevalencia de los trastornos del espectro autista: revisión de datos. Siglo Cero, 47, 7-26. https://doi.org/10.14201/scero2016474726 Alves, A.G.; Alonso, E.E M.; Paz, T.F. (2023) A HORA DO TEA: MEDIANDO A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA INCLUSÃO DE ACADÊMICOS POR MEIO DE JOGOS ANALÓGICOS In: Anais do Congresso Brasileiro sobre Transtorno do Espectro Autista, Itajaí: Univali, v.1, p.14-14 Camalionte, D.O.; Kondo, L.; & Rocha, A.N.D.C. (2021) Estudantes do ensino superior com Transtorno do Espectro Autista: uma revisão integrativa da literatura brasileira. Revista Educação Especial, [S. l.], v.34, p.e26/1–24. DOI: 10.5902/1984686X64322. Egerton, J., Carpenter, B. Girls and Autism: Flying Under the Radar: A Quick Guide to Supporting Girls with Autism Spectrum Conditions. Nasen. 2016 Fernández-Batanero, J.M. et al. Conocimiento del profesorado universitario sobre el uso de los recursos digitales para la asistencia a las personas con discapacidad. El caso de España. Educ Inf Technol 27, 9015–9029 (2022). https://doi.org/10.1007/s10639-022-10965-1 Fundación Universia. (2018). V Estudio sobre el grado de inclusión del sistema universitario español respecto de la realidad de la discapacidad. Disponível em: https://www.fundacionuniversia.net/content/dam/fundacionuniversia/pdf/e…. Acesso em: 4 FEB. 2025 Hostins, R.C., Alves, A.G., & Oliveira, N.A. de. Construindo personas de estudantes universitários com TEA no desenvolvimento colaborativo de Tecnologia Digital. Revista de Educação Especial, 37(1), e59/1–22. http://dx.doi.org/10.5902/1984686X87214 Málaga, I. et al. (2019). Prevalencia de los trastornos del espectro autista en niños en Estados Unidos, Europa y España: coincidencias y discrepancias. Medicina, 79(1, supl.1), 4-9. OMS (2023). Autismo. Disponivel https://bit.ly/who-autismo. Acesso em: 4 feb. 2025.

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  • Área Temática 6: Educação Superior
Keywords
ensino superior, educação inclusiva, tecnologia educacional, professor, autismo