Raciocínio Clínico Mediado por Inteligência Artificial Generativa: Uma Análise Qualitativa de Narrativas de Estudantes de Enfermagem

CIAIQ2025 - 338639
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Resumo

Introdução: A integração da inteligência artificial generativa (IAG) na formação graduada em enfermagem tem suscitado interesse pelo potencial impacto nos processos cognitivos, reflexivos e éticos do raciocínio clínico.

Objetivos e Métodos: Este estudo teve como objetivo analisar como a IAG apoia o raciocínio clínico de estudantes de enfermagem, explorando simultaneamente o potencial como ferramenta de apoio à análise qualitativa. Adotou-se um desenho qualitativo descritivo-interpretativo, ancorado numa perspetiva construtivista. Em estudantes finalistas de enfermagem, distribuídos por 8 turmas organizadas em grupos de trabalho com 5-7 elementos, foram analisadas narrativas reflexivas produzidas por 48 grupos ao longo de três sessões de análise de casos clínicos, constituindo um corpus longitudinal e coletivo em contexto pedagógico. Os dados foram recolhidos através de fichas formativas. A análise seguiu a proposta de Bardin, com codificação indutiva. A IAG (NotebookLM) foi utilizada como ferramenta heurística para organização e categorização, sendo posteriormente sujeita a validação e refinamento por um investigador, com base em critérios de coerência semântica e fidelidade ao corpus, assegurando controlo de potenciais vieses algorítmicos. Este processo permitiu a construção progressiva de categorias emergentes, reforçando a consistência analítica dos resultados. Foram respeitados princípios éticos da investigação, incluindo consentimento informado, participação voluntária e anonimização dos dados.

Resultados: Emergiram três domínios: (1)IAG como suporte cognitivo e organizacional; (2)limitações estruturais, incluindo descontextualização do cuidado, desalinhamento com taxonomia CIPE e défice de humanização; (3)riscos éticos, como alucinações e erosão do pensamento crítico. Verificou-se ainda uma elevada convergência entre a categorização inicial gerada pela IAG e a validação pelos investigadores, demonstrando a sua utilidade metodológica.

Conclusões: A IAG exige mediação pedagógica e enquadramento epistemológico crítico. Como suporte à análise qualitativa, demonstra utilidade na organização de grandes volumes de dados, se integrada em processos interpretativos rigorosos e supervisionados. O estudo reforça o debate sobre inovação metodológica e validade na investigação qualitativa em enfermagem.

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Instituições
  • 1 Universidade de Coimbra, Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem, Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra, Portugal
  • 2 Unidade Local de Saúde de Coimbra, Portugal; Univ Coimbra, UICISA E, ESEUC
Campos de aplicação
  • 2 - Investigação em Saúde
Palavras-chave
Estudantes de Enfermagem
Inteligência Artificial Generativa
Investigação qualitativa
Raciocínio clínico