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Partindo da teoria estética de Herbert Marcuse, que compreende a arte como portadora de um potencial emancipador por meio da subversão da realidade imediata e da abertura para o novo e o possível, esta pesquisa propõe investigar como a leitura do conto Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector, pode contribuir para a emancipação sensível de estudantes do ensino médio. Em Lispector, a experiência estética não é separada da subjetividade, do desejo e da transformação interior, elementos que dialogam diretamente com a proposta marcuseana de uma sensibilidade capaz de resistir à racionalidade reificada. A escolha do texto de Clarice Lispector justifica-se não apenas por seu valor literário, mas também pela maneira como mobiliza sentimentos ambíguos – como o desejo, a frustração, o prazer e a descoberta – que instigam os estudantes a refletirem sobre si mesmos, sobre os outros e sobre o mundo ao seu redor. Trata-se de uma obra que, ao mesmo tempo que revela a opressão de certas estruturas sociais (como o privilégio de acesso à cultura), também aponta para a potência transformadora da imaginação e da experiência sensível. Assim, esta pesquisa busca resgatar o papel formativo da literatura na escola, entendendo-a não como instrumento de aplicação de conteúdos, mas como linguagem capaz de suscitar experiências estéticas profundas, que podem despertar nos estudantes uma nova forma de ver, sentir e estar no mundo. A intenção dessa prática é exercitar o caráter reflexivo da filosofia, ou seja, de operacionalizar o filosofar e não somente conteúdos filosóficos. Em última instância, pretende-se contribuir para o fortalecimento de uma educação verdadeiramente emancipadora.
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