A invisibilidade da Escola do Recife no currículo de filosofia: valorização do pensamento nordestino

Vol. 2, 2025 - 327636
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Resumo

A invisibilidade da Escola do Recife do ensino de Filosofia no Nordeste forma uma grande lacuna curricular: apresenta uma lógica de silenciamento epistêmico fundamentada em padrões coloniais do pensamento. Sendo fundada por Tobias Barreto (1839–1889) e desenvolvida por pensadores como Sílvio Romero e Farias Brito, a Escola do Recife não apenas é pedra fundamental da filosofia no Brasil, mas inaugura um projeto de emancipação intelectual comprometido com a crítica à dependência cultural e à reprodução de modelos europeus de saber. Essa tradição filosófica representa uma tentativa de enraizar o pensamento no território, de pensar a partir do Brasil e para o Brasil, sendo mais específico, pensar o Nordeste. Todavia, mesmo diante de sua potência teórica, segue ausente nos currículos de Filosofia no ensino médio nordestino, principalmente em Pernambuco, mesmo em um contexto no qual a Base Nacional Comum Curricular afirma a importância da diversidade cultural. A não presença dessa corrente filosófica sendo ensinada nos espaços escolares, expressa um modelo pedagógico que ainda segue sob as orientações da colonialidade, negando a legitimidade de saberes regionais. Entre eles, a crítica espiritualista de Farias Brito, a análise da desigualdade de Josué de Castro, a pedagogia libertadora de Paulo Freire, a filosofia poética e ética de Patativa do Assaré e a crítica à dominação expressa por Euclides da Cunha em Os Sertões. O presente trabalho propõe que a inserção da Escola do Recife no currículo não deve ocorrer de forma superficial ou periférica, mas como eixo estruturante de uma filosofia localizada. Ao resgatar esse legado, o ensino de Filosofia passa a ser um espaço de afirmação do pensamento regional e da autonomia do saber dos(as) estudantes nordestinos(as), não mais vistos e ensinados como receptores passivos de filosofias estrangeiras, mas como continuadores de uma tradição filosófica viva, que pensa o mundo a partir de sua própria condição histórica e cultural. 

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Instituições
  • 1 Universidade Federal de Pernambuco
Área Temática
  • Currículos e Políticas Educacionais
Palavras-chave
Escola do Recife
Ensino de Filosofia
Filosofia brasileira
Currículo
Pensamento nordestino