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Trata-se de um relato de experiência extensionista no programa “Ciclos de Ação Comunitária”, da Universidade Estadual de Feira de Santana. Realizou-se, com estudantes do 4º e 5º ano do Ensino Fundamental, uma atividade em uma escola municipal de Conceição do Jacuípe-BA. A proposta de trabalho partiu da constatação na literatura de desigualdades referentes às questões raciais no cotidiano escolar e dos potenciais benefícios da atuação psicossocial crítica no fortalecimento e valorização da pertença racial. Para tanto, utilizou-se os aportes teóricos da Psicologia Social Comunitária latino-americana, especialmente no que se refere ao fortalecimento psicossocial (empoderamento) dos sujeitos e/ou grupos comunitários para a efetivação da cidadania. Assim, objetivou-se realizar, como intervenção, o exercício da escuta dos estudantes para compor, junto a eles, diálogos antirracistas. Metodologicamente, utilizou-se o “Ciclo de Ação Comunitária”, estratégia extensionista pautada no princípio freiriano de ação-reflexão-ação, organizada em oito encontros. Neste Ciclo, focalizou-se a consciência racial crítica no contexto escolar. As atividades ocorreram semanalmente e combinaram diversas técnicas: rodas de conversa, a fim de ouvir e conhecer as crianças; construção de jogos e brincadeiras como mecanismos disparadores para a discussão sobre racismo e maneiras de combatê-lo; e apresentação lúdica de informações sobre contribuições do continente africano e de figuras negras historicamente significativas. Dentre os resultados, destaca-se a participação ativa dos discentes durante os encontros e seus interesses em aprofundar conhecimentos sobre autodeclaração racial. As ações foram adaptadas conforme os interesses das crianças, com bons resultados, indicando que a escuta e abertura ao diálogo são instrumentos indispensáveis à criação de vínculos e, consequentemente, à mobilização da consciência sobre relações raciais. Durante os encontros, estudantes foram encorajados a propor formas de enfrentamento ao racismo e injustiças, sendo a ação em coletivo uma estratégia apontada em meio às brincadeiras. Conjuntamente, essas ações mostraram-se importantes no processo de fortalecimento psicossocial das crianças, na medida em que essas puderam protagonizar experiências significativas de autonomia para atuarem como agentes de transformação no cotidiano. Por fim, identificamos algumas limitações da proposta, como o tempo de duração dos encontros e o envolvimento da equipe escolar no processo de reflexão crítica sobre o racismo, sendo essas carências pontos de partida para o próximo Ciclo de Ação. O compartilhamento desses resultados é uma oportunidade de qualificar esta metodologia e seus potenciais efeitos emancipatórios, considerando o compromisso da Psicologia com um horizonte de transformação social.
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