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A violência contra as mulheres é antiga na história da humanidade. As mulheres foram historicamente colocadas em posições sociais hierarquicamente inferiores aos homens, a partir de uma desigualdade fundamentada no sexo biológico, o que resultou na instituição do sistema de opressão social denominado patriarcado. Neste contexto, o sexismo, mecanismo principal deste sistema, surge como ferramenta de manutenção das diferenças de gênero, justificando-as através da naturalização, inferiorização das diferenças e legitimação das violências contra as mulheres. Diante da transformação das relações sociais com a evolução tecnológica, as manifestações sexistas mudaram e abriu-se um novo espaço para suas expressões, as redes. Esse cenário demarca a necessidade de estudar o fenômeno nessa nova configuração. Esta pesquisa buscou investigar a associação entre o sexo de jovens estudantes e sua vitimização de violência nas redes sociais, bem como verificar quais foram os principais tipos de agressão mencionados nos seus relatos. A partir dos dados coletados com 1.850 estudantes em 10 escolas do Ensino Básico da Rede Estadual de Sergipe, sendo 50,5% do sexo masculino (N = 931) e 47% do feminino (N = 870), com idades variando entre 9 a 26 anos (M = 14,91; DP = 2,26). Os resultados de um teste de associação indicaram uma relação significativa entre ser do sexo feminino e a maior vivência de violência nas redes, em comparação às pessoas do sexo masculino (X²(1) = 43,239; p < 0,01), o que condiz com o sexismo apontado pela literatura. Em relação aos tipos de violência relatados, os termos mais frequentes foram “assédio/assediar”, “excluir” e “humilhar”. A alta frequência de “assédio/assediar” nos relatos dos estudantes, aliada à interpretação de que o assédio é uma forma recorrente de violência sofrida por meninas em um contexto marcado pelo sexismo, corrobora em termos qualitativos a associação sexo x violência identificada. Esses achados demonstram a importância de desenvolver intervenções sociais que promovam a equidade de gênero e contribuam para a redução da violência nas redes que afeta jovens estudantes.
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