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O mercado de trabalho, para além das dinâmicas econômicas do capital, tem as relações de gênero como um dos atravessamentos sociais que impactam diretamente na organização e funcionamento desse setor. Ancorada no machismo e sexismo construídos historicamente em nossa sociedade, a questão de gênero delineia, de forma persistente, quais papéis sociais são destinados a homens e mulheres, reforçando desigualdades estruturais e limitando possibilidades para muitas mulheres. Nesse contexto, o presente estudo objetivou analisar os desafios e obstáculos vivenciados pelas professoras da pós-graduação para a inserção, construção e consolidação de sua carreira docente em áreas contranormativas, mais precisamente nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), que são tradicionalmente ocupadas por homens. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter exploratório e transversal, que foi realizado durante o segundo semestre de 2024, no Campus São Cristóvão da Universidade Federal de Sergipe, envolvendo um grupo de quatro professoras que estão ativamente inseridas nesses contextos profissionais desafiadores. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram um questionário sociodemográfico e uma entrevista semiestruturada, que possibilitaram uma compreensão mais aprofundada e sensível das experiências dessas mulheres no ambiente acadêmico e institucional. Os resultados do estudo apontam para a existência de um preconceito estrutural baseado no gênero, o qual permeia a inserção, o desenvolvimento e a consolidação da carreira dessas profissionais dentro do meio universitário. Essas mulheres enfrentam diariamente a necessidade de provar sua competência e legitimidade em espaços ainda marcados por fortes traços de machismo estrutural e simbólico. O trabalho conclui que as mulheres que atuam como professoras nas áreas contranormativas (especialmente nas áreas STEM) demonstram elevada resiliência e determinação frente às dificuldades enfrentadas para alcançar o espaço em que hoje atuam. Apesar dos preconceitos, do machismo e do sexismo enfrentados em diversos níveis, elas conseguiram trilhar um caminho sólido, construindo trajetórias acadêmicas significativas e inspiradoras.
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