Comunicar para incluir: a importância de conhecer as formas de comunicação das pessoas com surdocegueira

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Comunicação oral
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Resumo

Introdução

            A surdocegueira é uma combinação da perda de audição e visão concomitante, podendo ser essa perda parcial ou total (Mansini, 2002; Lupetina, 2020). Na maioria dos casos, a pessoa com surdocegueira possui resíduos visuais ou auditivos ou ambos os resíduos. Sendo fundamental que a grafia da palavra surdocegueira seja escrita continuamente, sem hífen ou separação, como uma forma de legitimar e reforçar a surdocegueira como uma deficiência única (Lagati, 1995).

            A pessoa com surdocegueira pode ser congênita, em que nasce com a surdocegueira ou a adquire precocemente, antes da aquisição de uma língua oral ou gestual. Já as pessoas com surdocegueira adquirida consistem em crianças, jovens e adultos que se tornaram surdocegas após a aquisição de uma língua, seja oral ou gestual.

            Os profissionais adequados para atuar diretamente com as pessoas com surdocegueira são: o instrutor mediador e o guia-intérprete. O instrutor mediador pode atuar com pessoas com surdocegueira congênita e com pessoas com deficiência múltipla. Os conhecimentos necessários desse profissional são: Língua de Sinais, Braille e comunicação alternativa. Enquanto o guia-intérprete atua com pessoas com surdocegueira adquirida, em que os conhecimentos necessários são: Língua de Sinais, Braille e Orientação e Mobilidade.

            Após esse preâmbulo é relevante salientar a importância da sociedade aprender as formas de comunicação das pessoas com surdocegueira para promover uma verdadeira inclusão e cidadania. Mesmo com a existência dos profissionais como os guias-intérpretes a inclusão em todos os espaços – médicos, instituições bancárias, escolas, etc. – só irá ocorrer quando a sociedade conhecer as principais formas de comunicação das pessoas com surdocegueira.

 

Objetivos

            O objetivo principal dessa pesquisa consta em apresentar as possibilidades de comunicação das pessoas com surdocegueira ressaltando a importância dessas formas de se comunicar para a inclusão da pessoa com surdocegueira no convívio social. Como objetivo secundário, explicar quais formas de comunicação costumam ser escolhidas por cada pessoa com surdocegueira, de acordo com a ordem da perda – parcial ou total – sensorial, pois dependendo de qual sentido (audição ou visão) foi afetado inicialmente, irá interferir na forma de comunicação adotada pela pessoa com surdocegueira.  

 

Método

Trata-se de uma pesquisa qualitativa com abordagem descritiva, em que se busca apresentar as formas de comunicação da população em estudo, descrevendo as principais especificidades. Para além da busca por compreender o grupo estudado, que são as pessoas com surdocegueira e suas respectivas formas de comunicação, baseou-se em uma revisão de literatura. Trazendo como essa temática tem sido abordada, destacando as principais contribuições e perspectivas mais relevantes. A partir dos levantamentos, principalmente, realizados em estudos de Mansini, 2002; Cader-Nascimento e Costa, 2010; e Lupetina, 2020, apontam-se resultados contundentes e convergentes sobre as formas de comunicação das pessoas com surdocegueira.

 

Resultados

Como resultados cabe apresentar as principais formas de comunicação das pessoas com surdocegueira e as especificidades de cada forma de comunicação.

 

Quadro 1: Principais formas de comunicação das pessoas com surdocegueira

Como se comunicar:

 

O que é essa forma de comunicação:

Língua de Sinais Tátil

Corresponde a Língua de Sinais adaptada ao tato. A pessoa com surdocegueira mantém uma ou duas mãos sobre as mãos do guia-intérprete, dessa maneira a informação é recebida pelo tato.

Língua de Sinais em Campo Reduzido

Utilizada pelos surdocegos que possuem resíduo visual. Utiliza-se a Língua de Sinais em um campo espacial menor, conforme a necessidade da pessoa com surdocegueira.

 

Tadoma

Envolve a percepção tátil das vibrações produzidas durante a emissão verbal. A mão costuma ser posicionada em formato de “L” encostando nos lábios, queixo e parte do pescoço. Essa posição da mão do surdocego na face do guia-intérprete não é engessada, vai variar conforme a necessidade da pessoa com surdocegueira.

Escrita na palma da mão

Corresponde à escrita do sistema alfabético (letra por letra), preferencialmente maiúsculas, realizada com o dedo indicador no centro da palma da mão. Podendo ser realizada em outras partes do corpo (exemplo: braço, coxa) dependendo da preferência da pessoa com surdocegueira.

Língua oral ou fala ampliada

Utilizada quando a pessoa com surdocegueira possui resíduo auditivo. O interlocutor fala de maneira clara e próxima ao ouvido da pessoa com surdocegueira. Alguns preferem que fale próximo, outros de frente e outros preferem o apoio de aparelhos eletrônicos de amplificação sonora. Nesse caso, o guia-intérprete se posiciona bem próximo do melhor ouvido da pessoa com surdocegueira e repete a mensagem expressa pelo interlocutor por meio da língua oral no microfone do aparelho.

Braille tátil ou manual (1)

Sistema de comunicação alfabético (letra por letra) em que os dedos indicador e médio correspondem à representação da cela braille. Cada falange representa o espaço de marcação dos pontos em braille.

Braille tátil ou manual (2)

A pessoa com surdocegueira posiciona os três dedos de cada mão como se estivesse escrevendo na máquina de datilografia braille. O interlocutor posiciona a mão em cima da mão da pessoa com surdocegueira fazendo o toque das letras nas posições da escrita em braille.

Escrita ampliada

Utilizada por pessoas com surdocegueira que possuem resíduo visual. Corresponde à escrita em tinta da mensagem de forma ampliada utilizando cores contrastantes (fundo branco com letras pretas, por exemplo). Na letra ampliada costuma ser utilizada a fonte tamanho 24.  

Fonte: Quadro elaborado pela autora.

Cabe mencionar que, quando a pessoa com surdocegueira está em processo de perda do resíduo visual pode ocorrer um processo de transição comunicacional entre a Língua de Sinais em campo reduzido e a Língua de Sinais Tátil.

Adiante apresenta-se um Quadro em que demonstra que a ordem da perda sensorial costuma influenciar na escolha da forma de comunicação.

 

Quadro 2: Perfil do surdocego para cada forma de comunicação

Como se comunicar:

Qual surdocego costuma escolher essa forma de comunicação:

 

Língua de Sinais Tátil

Surdocego que primeiro perdeu a audição

Língua de Sinais em Campo Reduzido

Surdocego que perdeu primeiro a audição e ainda tem resíduo visual

Tadoma

Costuma ser usado por surdocego que já enxergou e conseguia fazer a leitura labial

Escrita na palma da mão

Surdocego que já enxergou e aprendeu a Língua Portuguesa

Língua oral ou fala ampliada

Surdocego que ainda tem resíduo auditivo

Braille tátil ou manual (1)

Surdocego que primeiro perdeu a visão e aprendeu braille

Braille tátil ou manual (2)

Surdocego que primeiro perdeu a visão e aprendeu braille

Escrita ampliada

Surdocego que ainda tem resíduo visual

Fonte: Quadro elaborado pela autora.

 

Conclusão

A partir das formas de comunicação apresentadas e suas especificidades reforça-se a importância de que conhecê-las e praticá-las é fundamental para a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva. A surdocegueira impõe barreiras significativas à interação com o mundo, e somente por meio destas que é possível garantir o acesso à informação, à educação, à cultura e à convivência social para esse público. Promover esse conhecimento entre profissionais, familiares e a sociedade em geral contribui para o respeito à diversidade, redução do isolamento e incentivo a autonomia das pessoas com surdocegueira. Assim, ampliar a consciência sobre essas formas de comunicação é um passo essencial rumo à equidade e ao pleno exercício da cidadania por todos.

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Instituições
  • 1 Instituto Benjamin Constant
Eixo Temático
  • 2. Desafios e Perspectivas
Palavras-chave
Surdocegueira
Formas de Comunicação
Língua de Sinais Tátil
Tadoma
Fala Ampliada