FORMAÇÃO CONTINUADA E INOVAÇÃO PEDAGÓGICA: PRÁTICAS COM COMUNICAÇÃO AUMENTATIVA E ALTERNATIVA NA INCLUSÃO DE ESTUDANTES

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Comunicação oral
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Resumo

INTRODUÇÃO

Estudantes com necessidades complexas de comunicação (NCC) frequentemente enfrentam barreiras significativas de participação no ambiente escolar, em razão de limitações na fala e na escrita, bem como da falta de capacitação de seus interlocutores (BORGES; LOURENÇO, 2023). As investigações na área indicam que a eficácia da comunicação mediada por sistemas de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) depende não apenas das habilidades do usuário, mas também da atuação qualificada dos interlocutores (KENT-WALSH; MCNAUGHTON, 2005; KENT-WALSH; BINGER, 2013).

A CAA, como campo interdisciplinar, tem se consolidado como uma estratégia fundamental para ampliar as possibilidades de expressão, compreensão e interação desses estudantes, promovendo sua inclusão e participação social. No entanto, embora a literatura aponte sua eficácia, a sua implementação nas escolas públicas brasileiras ainda é limitada, principalmente devido à ausência de formação adequada dos educadores para seu uso. Muitos profissionais não se sentem preparados para utilizá-la de forma efetiva, o que contribui para exclusão (SCHIRMER et al., 2024).

Considerando esse cenário, esta pesquisa parte do seguinte questionamento: Como as práticas formativas desenvolvidas em um programa de formação continuada impactam a implementação de recursos e estratégias de CAA por educadores em escolas públicas?

OBJETIVO

A investigação objetivou verificar quais os recursos e estratégias de CAA foram desenvolvidos por educadores durante a formação continuada, analisando os efeitos dessas práticas na promoção da inclusão e da comunicação de estudantes com NCC no contexto escolar.

MÉTODO

A pesquisa que contou com o fomento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, adotou o delineamento de pesquisa-ação colaborativo-crítica. Participaram do estudo cinco professoras do Atendimento Educacional Especializado e cinco Profissionais de Apoio Escolar (PAE), sendo que apenas quatro desses profissionais já haviam realizado alguma formação na área de CAA. Também participaram nove estudantes com deficiência e NCC — sete com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (nível 3 de suporte), um com paralisia cerebral e um com trissomia do cromossomo 21. As idades dos estudantes variaram entre 6 e 11 anos, sendo que oito deles estavam matriculados na primeira etapa do Ensino Fundamental. Além disso, participaram uma fonoaudióloga, três pedagogas especializadas e cinco auxiliares de pesquisa.

O estudo foi realizado entre abril de 2023 e fevereiro de 2024, em duas escolas públicas da cidade do Rio de Janeiro. Foram utilizados: questionário, roteiro de entrevista semiestruturada e protocolo de análise de recursos e estratégias de CAA. Diversos materiais e equipamentos foram utilizados, incluindo recursos de Tecnologia Assistiva (TA), jogos, livros, câmera digital, filmadora, gravadores de áudio digitais, computadores/notebooks, tablets, plastificadora, guilhotinas e perfuradores.

Os procedimentos envolveram a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa e pelas direções das unidades escolares, a assinatura dos Termos de Consentimento Livre e Esclarecido, a aplicação de um questionário e a realização de onze sessões teórico-práticas de formação, utilizando a Metodologia da Problematização. Também foram realizadas filmagens antes e após a formação, além de entrevistas. Todas as sessões foram filmadas e transcritas integralmente. Todos os dados foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo, conforme a proposta de Bardin (2017). Para isso, foram seguidos três procedimentos principais: a) leitura exploratória dos materiais coletados; b) identificação das unidades de análise com base em critérios temáticos; e c) categorização das informações.

Foram identificados os seguintes temas: a) atividades planejadas pelas profissionais; b) recursos de CAA desenvolvidos; c) estratégias de CAA implementadas.

RESULTADOS

Categoria. Atividades planejadas pelas profissionais

As atividades desenvolvidas no ambiente escolar descreveram práticas pedagógicas voltadas à promoção da autonomia, da comunicação funcional e das habilidades sociais de estudantes com necessidades complexas de comunicação (NCC). A rotina diária passou a ser organizada e comunicada aos estudantes por meio de pictogramas e fotografias, o que, segundo os relatos, promoveu maior previsibilidade, segurança e favoreceu o engajamento.

Também foi identificado o uso pedagógico de pictogramas para apoiar a leitura, a compreensão textual e a comunicação. Durante as atividades de leitura, professoras e/ou profissionais de apoio escolar (PAE) passaram a realizar a leitura oral de histórias, utilizando estratégias de leitura dialógica e estimulando os estudantes a recontarem a narrativa com base em imagens representativas do vocabulário. Esse suporte visual facilitou o acesso ao conteúdo literário, fortaleceu a alfabetização funcional e ampliou as possibilidades de expressão e interpretação dos estudantes.

A partir da formação as interações sociais também foram estimuladas por meio do ensino de comportamentos, como cumprimentar os colegas, e pelo incentivo à comunicação de sentimentos, desejos e necessidades. Além disso, observou-se o uso do pareamento de pictogramas e fotografias com textos no quadro ou com o cardápio, o que favoreceu o letramento visual e a compreensão simbólica.

Essas ações articuladas evidenciaram uma prática inclusiva e intencional, centrada nas potencialidades dos estudantes, respeitando seus ritmos e formas de comunicação. A presença de recursos visuais, a mediação constante e o estímulo à autonomia configuraram elementos fundamentais para a construção de um ambiente educacional acessível.

Categoria. Recursos de CAA desenvolvidos

Foram utilizados diversos recursos de CAA com o objetivo de promover a compreensão e a expressão por meio de suportes visuais. Entre os materiais empregados, destacou-se um quadro de metal fixo na parede, onde foram colocados estímulos removíveis como pictogramas e fotografias aderidos por ímãs. Também foram fixados cartões com pictogramas ou fotos por meio de velcro. Esses cartões também foram organizados sobre mesas ou planos inclinados, compondo sequências visuais de atividades, com o apoio de um alfabeto fixo.

Também foram utilizadas pranchas temáticas contendo pictogramas relacionados ao vocabulário de um livro de história, bem como cartões móveis com pictogramas que puderam ser fixados nas páginas do próprio livro. Para atividades cotidianas, como as realizadas no banheiro, foram fixados na parede cartões com a sequência das ações.

Houve ainda a instalação de uma prancha fixa na parede com pictogramas referentes a formas de cumprimento. Também foi utilizado um chaveiro de comunicação com pictogramas e fotografias, que funcionou como ferramenta portátil de apoio à comunicação.

Categoria. Estratégias de CAA implementadas

Durante as interações escolares, diversas estratégias de CAA foram implementadas com o objetivo de promover a participação ativa e a autonomia dos estudantes no processo comunicativo. Observou-se que os estudantes se dirigiam ao quadro para comunicar algo que desejavam, pegavam cartões e os entregavam aos interlocutores ou apontavam diretamente para os símbolos desejados.

Durante a leitura de histórias, os participantes apontavam para os pictogramas, relacionando as imagens ao conteúdo narrado. Os profissionais utilizavam perguntas e, na ausência de resposta por parte do estudante, apresentavam modelos com o uso da CAA, incentivando sua participação.

Os cartões também foram empregados para auxiliar os estudantes a identificar a sequência das ações nas tarefas. Para os cumprimentos, os estudantes apontavam para a imagem correspondente à forma desejada de saudação, sendo incentivados a se comunicar por meio dos pictogramas, enquanto os profissionais aguardavam e modelavam a resposta.

Na hora das refeições, as merendeiras passaram a apresentar as opções do cardápio, permitindo que os estudantes fizessem suas escolhas ao apontar ou entregar os cartões.

CONCLUSÃO

Os resultados evidenciam que a formação impactou positivamente as práticas pedagógicas, promovendo compreensão sobre o uso da CAA e incentivando sua incorporação nas rotinas escolares. A partir do diálogo com os profissionais, foi possível planejar intervenções contextualizadas e efetivas, ampliando as possibilidades de participação, expressão e autonomia dos estudantes com NCC.

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Instituições
  • 1 Fonoaudióloga e Professora Associada da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e do Programa de Pós-graduação em Educação ProPEd-UERJ
  • 2 Colégio Pedro II
  • 3 Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Eixo Temático
  • 1. Avanços e Inovação
Palavras-chave
Formação de educadores
Comunicação Aumentativa e Alternativa
Necessidades complexas de comunicação
Parceiros de Comunicação
Interlocutores