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Introdução
A implementação da CAA deve ser realizada nos diversos contextos em que o usuário está inserido, e devido a isso faz- se necessário abordar a implementação a partir da perspectiva interdisciplinar, sendo a terapia ocupacional uma das áreas do conhecimento que pode estar integrada a fonoaudiologia visando promover um conjunto de ações para desenvolvimento das habilidades comunicativas da criança utilizando a CSA, como observado na pesquisa de Manzini et al. (2021). A interface entre fonoaudiologia e terapia ocupacional na implementação deste relato foi iniciada com avaliação fonoaudiológica infantil dos aspectos e dos diferentes níveis linguísticos envolvendo funções comunicativas, habilidades conversacionais, aspectos sintáticos e semânticos. Tais conhecimentos foram integrados à avaliação terapêutica ocupacional da competência operacional, tecnologia assistiva. Além de outros recursos necessários para facilitar o acesso e o uso do usuário e seus parceiros de comunicação ao sistema, como uso de ponteiras e pranchas em alto contraste.
Ao revisitar a literatura, é notório que essa interface tem gerado boas experiências, foi realizado um levantamento e observado que a relação entre fonoaudiologia e terapia ocupacional está mais evidente na área da tecnologia assistiva, quando comparada a outras dimensões. Em uma revisão de literatura a área da Linguagem, dentre as áreas da Fonoaudiologia, foi a mais citada sendo que muitas envolvendo a Tecnologia Assistiva. A tecnologia assistiva é uma área de conhecimento de caráter interdisciplinar, onde fonoaudiologia e terapia ocupacional se conectam devido as intervenções acontecerem na reabilitação motora, no desempenho funcional em comum com a fonoaudiologia, favorecendo o desenvolvimento da linguagem. (GARCIA et al. 2020)
Objetivo:
Este resumo tem como objetivo descrever o processo de implementação da Comunicação alternativa e aumentativa em sessões integradas de fonoaudiologia e terapia ocupacional a partir de uma perspectiva interdisciplinar
Público-alvo e Descrição das ações desenvolvidas
O planejamento terapêutico foi realizado de forma integrada com objetivos que contemplam as duas especialidades, com ênfase na promoção da independência e autonomia comunicativa da criança, favorecendo o acesso a um sistema de comunicação robusto em alta tecnologia com organização semântica e pragmática, na abordagem Core Words. Visando: Promover exposição consistente e associação simbólica inicial aos pictogramas e seus significados em contexto, associado a comunicação multimodal com diferentes parceiros de comunicação; Ampliar a intencionalidade comunicativa para solicitar, fazer escolhas, rejeitar e desenvolver tais funções comunicativas nas trocas de turnos diante de uma interação social. Além de realizar modelagem ativa e contínua, sem necessidade de resposta para exposição natural a aquisição da linguagem com suporte da CAA. Petroni et al. (2018) descreveu um processo de implementação da comunicação alternativa em alta tecnologia e apontou que o uso do tablet como dispositivo de comunicação é viável e de rápida implementação, mas é imprescindível considerar as diferentes características do usuário e métodos de acesso, e para isso os recursos de tecnologia assistiva foram imprescindíveis, além do alinhamento e raciocínio clínico dos profissionais envolvidos no processo.
Resultados:
Ao longo das sessões, a integração entre Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional na implementação da comunicação alternativa de alta tecnologia mostrou-se fundamental para promover avanços significativos nas habilidades comunicativas e funcionais da criança. As atividades foram criteriosamente planejadas a partir dos interesses da criança, com foco na motivação, alternância de turnos comunicativos e associação entre o contexto lúdico e a modelagem da comunicação multimodal, utilizando o recurso do tablet.
A intervenção terapêutica ocupacional foi essencial para favorecer a organização corporal global, otimizando o alinhamento postural necessário para o uso eficiente dos recursos de comunicação. Houve atenção especial à facilitação do rastreio visual dos pictogramas, com a experimentação de diferentes técnicas de acesso, como o uso de ponteira adaptada, o que ampliou a autonomia da criança na operação do sistema de comunicação alternativa. Essa abordagem contribuiu para que a criança adquirisse maior independência, reduzindo a necessidade de assistência contínua dos parceiros de comunicação e promovendo o engajamento ativo nas atividades propostas.
No aspecto comunicativo, após aproximadamente seis meses de intervenção, observou-se uma evolução expressiva. A criança passou a compreender ordens simples com suporte da modelagem na CAA, ampliou o repertório de vocalizações em contexto e demonstrou maior intencionalidade comunicativa. O acesso direto aos pictogramas possibilitou a utilização funcional de diferentes funções comunicativas, como solicitação de ações e objetos, afirmação e rejeição. Além disso, houve aumento da frequência e qualidade das interações comunicativas tanto no ambiente familiar quanto escolar, com relatos de maior participação da criança em atividades pedagógicas e lúdicas, favorecendo sua inclusão social e escolar.
A formação teórica e prática dos parceiros de comunicação (familiares, professores e terapeutas) foi um dos pilares para o sucesso da intervenção, conforme destacado nos estudos de Manzini et al. (2021) e Garcia et al. (2020). O treinamento sistemático desses interlocutores resultou em maior segurança e proatividade no uso dos recursos de alta tecnologia, permitindo que a comunicação alternativa fosse incorporada de forma efetiva à rotina da criança. Os parceiros passaram a oferecer estímulos verbais e físicos adequados, respeitando o tempo de resposta da criança e promovendo interações mais naturais e contextualizadas.
Esses resultados corroboram com a literatura, que aponta que a eficácia da comunicação alternativa de alta tecnologia depende não apenas da escolha do recurso, mas principalmente do envolvimento e capacitação dos parceiros de comunicação e da atuação interdisciplinar, que garante a personalização das estratégias e o acompanhamento próximo das necessidades da criança ao longo do processo de intervenção.
Conclusão:
Diante da experiência e da literatura existente é possível concluir que a intervenção interdisciplinar é altamente eficaz no que tange a implementação da CAA e sua aplicabilidade em diferentes contextos, devido ao olhar ampliado e raciocínio clínico integrado por duas especialidades que envolvem comunicação e funcionalidade.
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