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Introdução: O radiocarbono é um isótopo radioativo do carbono, com meia vida de 5730±40 anos. Sua formação ocorre na alta atmosfera, a partir do bombardeamento cósmico em átomos de nitrogênio. Além da formação por raios cósmicos, as explosões atômicas, ocorridas a partir de 1945, produziram também isótopos de 14C. O radiocarbono é utilizado como método de datação para materiais contendo carbono, em intervalo de 300 a 50000 anos. O desenvolvimento do projeto Fapesp “A Bifurcação de Santos: Presente e Passado” (SANBIF) permitiu a realização de um número expressivo de datações ao radiocarbono, no talude continental da Bacia de Santos. Não obstante, essas datações não constituem os primeiros dados de radiocarbono na área, cabendo a de Mahiques et al. (2011) a primeira compilação de informações sobre radiocarbono referentes à margem continental sul-sudeste do Brasil. Os dados citados (de Mahiques et al. 2011) apresentam alguns problemas. Uma observação inicial dá conta de que as coordenadas geográficas não apresentam a precisão desejada. Além disso, os dados calibrados não se estendiam aos atuais 50000 anos (Heaton et al. 2020; Hogg et al. 2020), disponíveis atualmente. Outro fator diz respeito aos diferentes efeitos reservatórios utilizados, uma vez que, ao longo dos últimos 20 anos, não foi estabelecido consenso a esse respeito (Angulo et al. 2005; Alves et al. 2015). No âmbito do projeto SANBIF, esse procedimento é importante na medida em que permitirá obter um quadro mais claro das taxas de sedimentação, não só na área da Bifurcação de Santos, mas também ao longo de todo o talude continental da Bacia de Santos. Portanto, o objetivo do projeto é o estabelecimento da primeira sistematização da geocronologia de radiocarbono do talude continental da Bacia de Santos, visando fornecer elementos para a compreensão da dinâmica sedimentar na área.
Experimento: A área de estudo é o talude continental da Bacia de Santos Para efeitos de padronização, considera-se o trecho da margem continental, entre o Cabo Frio e o Cabo de Santa Marta, entre as isóbatas de 200 e 2000 metros. Os métodos utilizados consistem em:
Resultados e Discussão: Após a pesquisa bibliográfica e organização de dados foi notória a necessidade de correção dos mesmos, visto que estavam fora de um padrão mais atual e aceito. Até o momento foram encontrados os dados e calibradas as idades de radiocarbono de 85 testemunhos. Em média, cada testemunho possui cerca de 3 amostras datadas e corrigidas (totalizando 266 amostras). Para fins de correção das idades foi utilizado o modelo proposto por Alves em 2015.
Conclusão: A partir dos resultados obtidos será possível estabelecer os modelos e bases para o conhecimento da deposição de radiocarbono no talude continental. Portanto, com a padronização dos dados, não só será possível facilitar sua busca, mas também auxiliar na revisão de outros trabalhos e no desenvolvimento de futuros projetos.
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