RAZÃO ELEMENTAR ENTRE METAIS COMO FERRAMENTA EM ESTUDOS PALEOCEANOGRÁFICOS NA BIFURCAÇÃO DE SANTOS

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Resumo

Os estudos de reconstrução das condições atmosféricas e oceânicas do passado possibilitam um melhor entendimento acerca do funcionamento do sistema climático e da dinâmica oceânica atuais. Nesse sentido, os registros geológicos, em especial o sedimento marinho, são importantes para as ciências paleoclimáticas e paleoceanográficas, pois conservam características físico-químicas, geológicas e biológicas do meio, além de preservar alterações nessas propriedades. Desse modo, existem diversos proxies que possibilitam qualificar e quantificar parâmetros que auxiliam na reconstrução da dinâmica oceanográfica do passado, sendo um deles o uso de metais. Razões metal/metal são utilizadas para indicar a origem do sedimento; as condições redox da coluna d’água e do fundo marinho; intemperismo; produtividade; processos hidrodinâmicos, entre outros. Essas razões elementares reforçam interpretações de fenômenos oceanográficos que associadas aos Estágios Isotópicos Marinhos (MIS, em inglês) permitem relacionar mudanças nas características geoquímicas dos sedimentos a alterações climáticas globais. Neste trabalho, caracterizou-se a distribuição de metais nos primeiros 46 cm, subamostrados a cada 2 cm, de um testemunho com 285 cm de comprimento total coletado na Bifurcação de Santos (BS) no Atlântico Sul. A partir disso, foram utilizadas razões metal/metal com o objetivo de identificar fenômenos climáticos e oceanográficos. A Bifurcação de Santos é um fenômeno que está relacionado a divisão de fluxo da Água Intermediária Antártica (AIA) e é de interesse para estudos oceanográficos, principalmente, devido ao atual cenário das mudanças climáticas. Para realizar este trabalho, foram determinadas as concentrações dos metais Al, Cr, Co, Fe, K, Mn, Ti, V e U, por meio de digestão total, a partir das técnicas de ICP-OES e de ICP-MS; e do Ca, por meio da gravimetria, em amostras de sedimento marinho. Também, foram calculadas razões elementares entre metais, como Fe/Ca, Ti/Ca, Ti/Al, Fe/K, K/Al, U/Al, Mn/Al, Co/Al, V/Al e V/Cr. As tendências das razões Fe/Ca e Ti/Ca ao longo do MIS 1 e do MIS 2 mostraram que, em geral, há uma maior influência de sedimentos de origem terrígena e as razões Fe/K e K/Al indicam um predomínio do intemperismo químico. Esse resultado, possivelmente, está relacionado ao transporte da Pluma do Rio da Prata durante os ciclos de regressão e de transgressão marinha, e do transporte realizado pelo meandramento da Corrente do Brasil (CB) que poderia carregar sedimentos da plataforma continental para o talude. Além disso, as tendências das razões U/Al, Mn/Al, Co/Al durante esse período e os valores obtidos de ln(V/Al) (menores de -6,0) e de V/Cr (maiores de 2,0) indicam um ambiente óxico. Essa condição redox do meio pode estar associada ao próprio transporte da AIA, que é rica em oxigênio, e a ação erosiva da CB. Dessa forma, foi possível notar a influência dos processos regressivos e transgressivos do nível do mar no estabelecimento das condições hidrodinâmicas da região e geoquímicas do sedimento analisado, o que pode ter contribuído para a evolução das condições oceanográficas da Bifurcação de Santos ao longo dos últimos 25000 anos.

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Instituições
  • 1 Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo
Eixo Temático
  • ST-03 - Paleoambiente, Paleoclima e Biogeoquímica
Palavras-chave
TESTEMUNHO SEDIMENTAR
PROXIES
DIGESTÃO TOTAL
ATLÂNTICO SUL