Toxicidade aguda do sedimento de fundo dragado da Lagoa de Marapendi (Rio de Janeiro, RJ) em minhocas da espécie Eisenia andrei

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Resumo

A dragagem dos sedimentos de fundo é uma medida bastante usada na recuperação de lagoas urbanas eutrofizadas. No entanto, a disposição terrestre do sedimento dragado destas lagoas pode representar um risco para a fauna do solo. O plano de recuperação do Complexo Lagunar de Jacarepaguá (CLJ - RJ) prevê a dragagem e a disposição do sedimento de fundo das lagoas que o compõem sobre áreas adjacentes. Neste contexto, o presente trabalho visa investigar o potencial efeito tóxico sobre organismos terrestres do sedimento de fundo da Lagoa de Marapendi (LM - Rio de Janeiro, RJ), parte do CLJ. Foram coletadas 23 amostras de sedimento de fundo da LM, que foram misturadas para compor um só volume de material dragado. Esse material foi caracterizado quanto a seu teor de metais (Zn, Cu, Hg, Pb, Cr, As, Cd, Ni) através de espectrometria de massas. O índice de geoaculuação (IGEO) foi utilizado para determinar a intensidade da contaminação por metais. Para medir a toxicidade do dragado sobre organismos terrestres foram realizados bioensaios agudos com minhocas da espécie Eisenia andrei em solo artificial (S.A - 70% de areia, 20% de caulinita e 10% de fibra de casca de coco), latossolo, chernossolo e espodossolo. A textura e teor de carbono orgânico dos solos foram determinadas por Santos et al. (2022) e Vezzone et al. (2018). O sedimento foi adicionado ao solo em doses progressivas de forma a gerar misturas nas doses 1%, 2%, 3% 4%, 5% e 7%. A toxicidade do dragado foi medida através das doses que causaram efeito de letalidade em 50% dos organismos (CL50). O dragado apresentou teores de Zn, Cu, Cr e Cd que se encaixam na Classe 1 do IGEO (pouco a moderadamente poluído) e Hg na Classe 4 (Fortemente poluído). Os bioensaios agudos exibiram uma CL50 de 3,82% em espodossolo, 5,42% em S.A, 7,21% em latossolo e 8,72% em chernossolo. A maior toxicidade aguda do dragado em espodossolo pode ser explicada pela textura arenosa deste solo (98,2% de areia). O chernossolo e o latossolo, por outro lado, apresentam teores relevantes de argila (24% e 58%, respectivamente), fração com alta área específica de contato e capaz de reter parte do contaminante. No caso do S.A o alto teor de matéria orgânica também colabora para reduzir a toxicidade, uma vez que a matéria orgânica exibe afinidade com metais, podendo sequestrá-los. Os resultados apontam que o material dragado da LM exibe uma alta toxicidade sobre minhocas, causando letalidade significativa em doses baixas. Essa toxicidade varia em diferentes classes de solos, atingindo o ápice no espodossolo, classe presente no entorno imediato da lagoa. Esses dados demonstram a necessidade de considerar as características físicas dos solos na escolha da área para deposição do material dragado.

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Instituições
  • 1 UFRJ
  • 2 PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM GEOCIÊNCIAS (GEOQUÍMICA), INSTITUTO DE QUÍMICA, UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE - UFF
  • 3 Laboratório de Ecologia e Ecotoxicologia de Solos - UFRJ
  • 4 PPGG - UFRJ
Eixo Temático
  • ST-14 - Geoquímica, Soluções Baseadas na Natureza e a Agenda 2030
Palavras-chave
Eisenia andrei
Contaminação
Solo
Metais