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Resumo

Os manguezais são ecossistemas costeiros de elevada importância ecológica, reconhecidos por sua biodiversidade, capacidade de proteção litorânea e contribuição para o equilíbrio biogeoquímico em zonas estuarinas. No entanto, esses ambientes têm sido historicamente impactados por ações antrópicas, como ocupação irregular, desmatamento e lançamento de efluentes, comprometendo suas funções ecológicas. A recuperação de áreas degradadas por meio do reflorestamento requer conhecimento detalhado das condições do solo, especialmente quanto à sua composição mineralógica, que influencia diretamente a disponibilidade de nutrientes, a retenção de água e o desenvolvimento das espécies vegetais. Nesse contexto, foi caracterizada, por meio da técnica de Difração de Raios X, as fases minerais em sedimentos de manguezal de áreas impactadas e em processo de reflorestamento, contribuindo com subsídios técnicos para o planejamento de ações de recuperação ambiental em manguezais. Foram analisadas seis amostras de sedimento de manguezal coletadas em triplicata no município de São Francisco do Conde, Bahia, em duas regiões distintas: Baixa Fria (BAM, BAR, BM e BR) e Marapé (MAM e MAR), sob diferentes influências antrópicas (urbanização e refinaria de óleo). As amostras foram secas, desagregadas e peneiradas, sendo selecionada a fração inferior a 0,063 mm para garantir homogeneidade e reduzir efeitos de orientação preferencial dos cristais. As análises foram realizadas com o uso do difratômetro Bruker D2 Phaser, na faixa angular de 5° a 65°, com passo de 0,02° 2θ e tempo de contagem de 0,5 s por passo, totalizando cerca de dois minutos de varredura por amostra. As medições foram realizadas em modo contínuo (step scan), sem orientação, com montagem em porta amostra padrão. A identificação das fases minerais foi conduzida por comparação dos difratogramas obtidos com padrões cristalográficos presentes em bancos de dados especializados. Os difratogramas revelaram padrões semelhantes entre as amostras, com picos intensos predominantes na faixa de 26,56° a 26,72° 2θ, típicos da presença de quartzo (SiO₂), mineral comum em sedimentos arenosos. Essa predominância sugere uma baixa retenção de nutrientes, mas indica boa estabilidade física e condições adequadas para a penetração de raízes e drenagem da água. Além do quartzo, foram observados outros picos secundários entre 20° e 30° 2θ, e nas faixas de 45° a 50°, que podem estar associados a minerais como caulinita e ilita, típicos de ambientes argilosos e derivados do intemperismo de feldspatos. Esses minerais são relevantes por contribuírem com nutrientes e afetarem a capacidade de retenção de água e a estrutura do solo. Em algumas amostras, como MAM, picos entre 31,1° e 31,72° 2θ sugerem a presença de fases de silicato que podem contribuir com elementos como potássio e alumínio. As diferenças entre áreas antropizadas e em reflorestamento não foram marcantes em termos de composição mineral principal, sugerindo homogeneidade litológica entre os locais amostrados. Essa uniformidade pode favorecer o planejamento de estratégias de recuperação ambiental com espécies vegetais adaptadas ao substrato identificado. Conclui-se que a DRX é uma ferramenta eficaz para a caracterização mineralógica de sedimentos em manguezais, fornecendo subsídios relevantes para projetos de reflorestamento, especialmente na seleção de áreas e espécies vegetais com maior chance de adaptação e sucesso ecológico.

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual de Feira de Santana
  • 2 UEFS
Eixo Temático
  • ST-05 - Hidrogeoquímica, geoquímica de solos e contaminação
Palavras-chave
Caracterização mineralógica
Recuperação ambiental
Difratometria
Ambientes costeiros