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A Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ), localizada na região Sudeste do Brasil, é marcada por elevada densidade populacional, intensa urbanização e atividade industrial. O relevo variado, com áreas de planície costeira intercaladas por maciços e colinas, somado à proximidade com o oceano, influencia diretamente os processos atmosféricos e a dispersão de poluentes. Nesse contexto, as bacias aéreas I, II e III, nas quais o município do Rio de Janeiro está inserido, são fundamentais para o monitoramento da qualidade do ar, pois refletem a influência das emissões locais e das condições meteorológicas sobre a concentração e movimentação dos poluentes. De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), a Bacia Aérea III é considerada a mais crítica em termos de poluição do ar, devido à presença de polos industriais e elevado tráfego veicular. A persistência desses poluentes pode alterar significativamente os ciclos biogeoquímicos urbanos, especialmente por meio da deposição atmosférica. Nesse cenário, o presente estudo busca compreender os ciclos biogeoquímicos urbanos no município do Rio de Janeiro, por meio da correlação entre as emissões atmosféricas e a composição físico-química da água da chuva. Para isso, propõe-se utilizar os dados obtidos como parâmetros indiretos para a inferência dos processos urbanos associados às dinâmicas ambientais da região. As amostras de água de chuva foram coletadas em dois bairros do município do Rio de Janeiro: Maracanã (bacia aérea III) e Campo Grande (bacia aérea I), pois representam diferentes contextos da urbanização carioca. Nesta pesquisa foram obtidos dados de concentração de poluentes atmosféricos como o monóxido de carbono (CO), o dióxido de enxofre (SO2), os óxidos de nitrogênio (NOₓ) e o ozônio (O3), bem como registro dos principais elementos meteorológicos. Foram determinados parâmetros físico-químicos, como pH, condutividade elétrica, hidróxido de amônio (NH4OH) e concentração de íons inorgânicos como: cloreto (Cℓ⁻), nitrato (NO3-), nitrito (NO2-), sulfato (SO42-) e carbonato (CO32-), seguindo as diretrizes recomendadas pelo SMEWW. Os resultados indicaram valores de pH predominantemente superiores a 7,2, sugerindo uma tendência de neutralização da acidez da água da chuva. Esse comportamento pode estar associado à presença de íons amônio e carbonatos, oriundos tanto do tráfego veicular quanto de atividades industriais, que atuam como agentes neutralizantes dos ácidos formados a partir de NOₓ e SO2. As elevadas concentrações de íons cloreto (Cℓ⁻) encontradas, apontam para uma significativa influência de aerossóis marinhos na composição da chuva, fenômeno esperado considerando a posição do sítio e a ação dos ventos no transporte de partículas do oceano para o continente. A análise das correlações entre os poluentes atmosféricos e os indicadores hidroquímicos, realizada por meio da correlação de Spearman e da análise rítmica para identificação de padrões temporais, evidenciou interações significativas que indicam processos interdependentes associados às alterações no clima urbano. Os resultados apontam para a existência de dinâmicas nas quais a atmosfera desempenha, de forma simultânea, o papel de meio de transporte, transformação e deposição de substâncias químicas por meio da precipitação, sendo esses processos condicionados, principalmente pelas alterações urbanas dos ciclos biogeoquímicos.
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