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Introdução
Ecossistemas recifais estão entre os mais biodiversos do planeta, mas também entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas. A acidificação dos oceanos (AO) altera o equilíbrio do sistema carbonato da água do mar e reduz a disponibilidade de carbonato de cálcio (Ωarag) para a formação do esqueleto calcário de organismos como corais. Além disso, o metabolismo líquido do ecossistema pode ser modificado, favorecendo o metabolismo do carbono orgânico (e.g. fotossíntese/respiração) em detrimento do metabolismo inorgânico e crescimento do recife (e.g. calcificação/dissolução de CaCO₃). Variáveis do sistema carbonato (e.g. pH, alcalinidade total, carbono inorgânico dissolvido - CID e Ωarag) são importantes proxies para entender esses processos e a vulnerabilidade dos recifes à AO. Neste estudo, avaliamos o sistema carbonato e o padrão metabólico nos recifes de Rio do Fogo/RN, visando discutir sua susceptibilidade à acidificação.
Métodos
Foram realizadas seis campanhas nos recifes de Rio do Fogo/RN, entre maio/2024 e maio/2025. Amostras de água foram coletadas para análises de alcalinidade total (AT), enquanto pH, temperatura, salinidade e oxigênio dissolvido foram medidos em campo. A AT foi determinada por titulação potenciométrica e o sistema carbonato (CID, HCO₃⁻, CO₃²⁻, CO₂ dissolvido, pCO₂ e Ωarag) calculado a partir de pH, AT, temperatura e salinidade. O metabolismo do sistema foi estimado pelo coeficiente de inclinação da curva de dispersão (ax) entre AT e CID, utilizando a equação %NCP = [(1 – ax)/2] * 100, onde NCP indica a porcentagem do metabolismo orgânico (fotossíntese/respiração). Os testes de Kruskal-Wallis e Dunn analisaram a variação temporal dos parâmetros do sistema carbonato.
Resultados
Os valores de pH variaram entre 7,761 (jan/2024) e 8,177 (mai/2024), resultando em concentrações médias de CID de 1955,6 (±143,5 µmol/L), enquanto a AT teve média de 2273,6 (±107,4 µmol/L). O indicador %NCP mostrou que o metabolismo orgânico corresponde a cerca de 68,5% do metabolismo total do recife, evidenciando menor participação de processos de calcificação/dissolução. Nas campanhas de jan/2025 e mar/2025, houve aumento do CO₂ dissolvido (máx. 23,8 µmol/L) e redução do pH (Kruskal-Wallis, p < 0,001), sugerindo heterotrofia líquida (i.e. respiração > produção primária). Os altos níveis de pCO₂ nessas campanhas (até 890,5 µatm) indicam o recife atuando como fonte de CO₂ para a atmosfera. Em mar/2025, Ωarag caiu significativamente, chegando a 2,2, valores desfavoráveis à calcificação dos corais. Esses períodos coincidem com a alta temporada turística, que pode ter contribuído para maior aporte de matéria orgânica e nutrientes, intensificando a heterotrofia. Já as campanhas de mai/2024, ago/2024, nov/2024 e mai/2025 indicaram autotrofia líquida, com pCO₂ médio de 382,5 (±69,0 µatm), sugerindo possível difusão de CO₂ da atmosfera para o recife.
Conclusão
Os Parrachos de Rio do Fogo podem estar vulneráveis à acidificação oceânica, sobretudo em períodos de maior fluxo turístico, quando se observou redução do pH, elevação do pCO₂ e menor Ωarag, associados à heterotrofia líquida e ao recife atuando como fonte de CO₂. A dominância do metabolismo orgânico indica a sensibilidade do sistema, com menor importância da calcificação e possível favorecimento de organismos não construtores.
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