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A avaliação da qualidade ambiental em ecossistemas costeiros e marinhos pode ser realizada através do monitoramento e o desenvolvimento de modelos com validade local, que lidem com a variabilidade climática regional, avaliação do estado trófico da água e outras fontes de poluição. Neste sentido, o séston, composto por matéria orgânica particulada de origem diversa, como fitoplâncton, matéria orgânica terrestre e efluentes urbanos, pode ser utilizado como principal indicador da dinâmica trófica, processos produtivos, transporte de nutrientes e alterações antrópicas nesses ecossistemas. Este estudo integrado, desenvolvido entre 2021-2023 no Laboratório de Radioecologia e Alterações Ambientais (LARA/UFF), teve como objetivo caracterizar as fontes de formação do séston (fitoplâncton, matéria orgânica terrestre e efluentes urbanos) na região de Arraial do Cabo (RJ) e avaliar sua variação espacial e sazonal utilizando assinaturas isotópicas de δ¹³C e δ¹⁵N. Nas últimas décadas, análises de δ13C e δ15N, via a um analisador elementar acoplado a um espectrômetro de massa de razão isotópica (EA-IRMS Delta V Plus) provou ser uma abordagem poderosa para vincular fontes alimentares aos consumidores primários que permite o estudo da dinâmica trófica. A metodologia abrangeu coletas trimestrais em três pontos estratégicos: Ilha de Cabo Frio (ambiente mais oceânico), Praia do Forno (alta influência antrópica) e Boqueirão (área intermediária). Das amostras de água coletadas, uma parte foi filtrada em filtros GF/F pré-combustionados (450°C) para análise de séston, enquanto a outra parte foi armazenada para posterior análise quantitativa do teor de nutrientes presentes, nitrato, nitrito, amônio e fosfato. Além disso, parâmetros hidroquímicos relevantes para o estudo foram medidos in situ com uma sonda multiparamétrica. A partir dos dados obtidos foram correlacionados fontes da literatura, para discriminar contribuições de fitoplâncton marinho, matéria orgânica terrestre e efluente urbano para a formação do séston. Os resultados revelaram padrões distintos: Praia do Forno - Apresentou os valores mais negativos de δ¹³C (-23‰ a -25‰) e δ¹⁵N elevado (~8‰), indicando forte contribuição de nitrogênio terrestre e esgoto, correlacionada com menor renovação hídrica e alta atividade turística. Ilha de Cabo Frio - Assinatura isotópica característica de fitoplâncton marinho (δ¹³C: -19‰ a -22‰; δ¹⁵N: ~7‰), com menor variabilidade sazonal refletindo menor impacto antrópico. Boqueirão - Padrão intermediário, sugerindo mistura de fontes, com δ¹³C de -21‰ a -23‰ e δ¹⁵N ~7,5‰. A concentração média de séston no verão foi obtida para os 3 pontos. Os dados de IET (Índice de Estado Trófico) corroboraram esses achados, com classificação eutrófica a hipereutrófica na Praia do Forno (IET 77,4) versus condições mesotróficas na Ilha de Cabo Frio (IET 49,4). A técnica isotópica demonstrou alta eficácia no rastreamento de fontes de poluição, revelando que o séston funciona como integrador das alterações ambientais; e a abordagem multidisciplinar permite subsidiar estratégias de gestão costeira.
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