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A eutrofização é um dos principais processos de degradação de ecossistemas aquáticos, sendo particularmente preocupante em ambientes tropicais costeiros, onde altas temperaturas, águas rasas e grande aporte de nutrientes se combinam favorecendo a proliferação de florações de algas nocivas (HABs), especialmente de cianobactérias. Essas florações afetam a qualidade da água e alteram significativamente a estrutura das comunidades planctônicas afetando a composição bioquímica da base da cadeia alimentar. Dentre os componentes bioquímicos essenciais para os organismos aquáticos, os ácidos graxos, em especial os poli-insaturados (PUFAS) desempenham um papel crucial no crescimento, reprodução e transferência energética ao longo da teia trófica. A dominância de cianobactérias pode comprometer a qualidade nutricional do plâncton, afetando o desenvolvimento do zooplâncton e de níveis tróficos superiores. Este estudo teve como objetivo investigar como o enriquecimento de nutrientes e a consequente dominância de cianobactérias afetam a composição de ácidos graxos do plâncton em diferentes classes de tamanho em lagoas costeiras tropicais do estado do Rio de Janeiro. Foram selecionadas três lagoas costeiras do estado do Rio de Janeiro. Em cada lagoa, foram mensurados parâmetros físico-químicos, além de nutrientes dissolvidos (amônio, nitrato, nitrito e fosfato), e pigmentos fotossintéticos. Para avaliar o estado trófico, aplicaram-se dois Índices do Estado Trófico (TSI, e o TRIX). O plâncton foi fracionado em três classes de tamanho (20 µm, 68 µm e 100 µm) representando diferentes grupos funcionais. A composição lipídica foi determinada por cromatografia gasosa, acoplado a um espectrômetro de massas de razão isotópica . As lagoas apresentaram um gradiente claro de eutrofização, refletido nos valores de TSI e TRIX. Maricá e Saquarema exibiram os maiores valores de clorofila-a (>30 µg/L) e índices tróficos mais elevados, indicando estados eutróficos a hipereutróficos. Nessas lagoas, observou-se também maior proporção relativa de cianobactérias, com razão Cyano/Clorofila acima de 0,4 em alguns pontos. A composição de ácidos graxos variou entre as frações planctônicas. As frações menores (20 µm), dominadas por organismos autotróficos, apresentaram maior proporção de Ácidos Graxos Saturados (SFAs) e menor diversidade lipídica, especialmente nos locais com forte presença de cianobactérias. Isso corrobora a hipótese de que essas florações reduzem a qualidade nutricional da base da cadeia trófica. Por outro lado, nas frações maiores (68 e 100 µm), observou-se aumento relativo de Ácidos Graxos Monoinsaturados (MUFAs) e Ácidos Graxos Ramificados (BFAs), sugerindo a presença de zooplâncton que pode acumular ou converter os lipídios disponíveis em um possível mecanismo de "trophic upgrading", onde organismos consumidores compensam a baixa qualidade do alimento disponível. As análises de PCA mostraram agrupamentos distintos entre lagoas oligotróficas e eutrofizadas, com forte influência da clorofila-a, fósforo total e SFAs na ordenação dos dados. As correlações revelaram que a dominância de cianobactérias está negativamente associada à diversidade de ácidos graxos, reforçando seu papel como fator limitante para a transferência eficiente de energia e nutrientes na teia trófica.
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