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A Elevação do Rio Grande (ERG) é uma estrutura geológica submarina complexa, com alta biodiversidade e recursos minerais de importância estratégica, localizada nas águas internacionais profundas do Atlântico Sudoeste, a cerca de 1.200 km da costa do Brasil. Devido à baixa sedimentação em regiões abissais, sedimentos marinhos superficiais das áreas adjacentes à ERG registram condições ambientais, climáticas e oceanográficas ao longo dos últimos milhares de anos. Neste estudo, analisou-se a composição orgânica molecular de sedimentos abissais, com foco em sua origem e distribuição temporal. Para isso, um testemunho de 12 cm foi coletado em uma região adjacente à ERG, a 3.287 m de profundidade, utilizando um amostrador do tipo box-corer durante a expedição PROERG-AMB realizada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) e Marinha do Brasil a bordo do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira (NPqHo H-39). Análises de radiocarbono prévias permitiram inferir a extensão do testemunho de cerca de 5 até 15 mil anos, registrando o fim do Pleistoceno e transição para o Holoceno. O testemunho foi seccionado em 12 cortes de 1 cm (amostras 1 a 12), os quais foram liofilizados. A matéria orgânica solúvel foi extraída e posteriormente analisada por cromatografia gasosa acoplada ao espectrômetro de massas (GC-MS). Foram identificados biomarcadores como os alcanos lineares de cadeia longa (nC27-nC33), hopenos, esteranos, ácidos alcanóicos (C8-C18) e amidas. A distribuição de n-alcanos de cadeia longa com predominância de cadeias ímpares sobre pares e com Cmax em C29 indica significativa influência terrestre aos sedimentos. Entre os compostos hopanóides identificados, destacam-se os 22,29,30-trisnorhop-17(21)-eno, 30-norneohop-13(18)-eno e 22,29,30- trisnorhopan-17(21)ona. Os esteróis detectados, incluindo o colesterol e o β-sitosterol, os quais tendem a se acumular em ambientes redutores/anóxicos, se apresentaram na forma de esteradienos, como colesta-3,5-dieno (C27), o qual indica input de fonte autóctone marinha, e o stigmastan-3,5dieno (C29), origem alóctone, o qual indica input de vegetação terrestre. A expressiva diminuição da razão C27/C29 dos esteradienos da amostra 9 para a 8, provavelmente durante o evento Younger Dryas (12,9–11,7 ka), no final do Pleistoceno, indicam um aumento no aporte de vegetação terrestre. Enquanto as amostras mais recentes (topo) do testemunho apresentam ambiente mais oxidante, as amostras mais antigas (base) mostram sinais de condições redutoras ou anóxicas, favoráveis à preservação de compostos orgânicos de origem mista (terrestre e marinha). Em suma, a análise dos compostos orgânicos presentes nos sedimentos abissais superficiais do Oceano Atlântico contribuiu para reconstruir as variações no input de matéria orgânica e o do ambiente deposicional da região durante a transição do Pleistoceno para o Holoceno.
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