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A captura e armazenamento geológico de carbono, (Carbon Capture And Storage - CCS) constitui uma estratégia promissora para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa em larga escala. Dentre os ambientes geológicos aptos para esse fim, os aquíferos salinos profundos destacam-se por sua ampla distribuição geográfica, elevada capacidade de armazenamento e possibilidade de confinamento seguro a longo prazo. O presente estudo avalia o potencial da bacia do Paraná para o armazenamento geológico de CO₂, com base em dados geológicos e hidrogeológicos oriundos de poços exploratórios de hidrocarbonetos, integrados ao conhecimento técnico disponível sobre a bacia. Seções estratigráficas com potencial de armazenamento foram selecionadas criteriosamente, foram analisados perfis geofísicos e litológicos de poços profundos (com destaque para poços utilizados na prospecção de hidrocarbonetos), e a avaliação das condições hidrogeológicas da bacia. Foram aplicados critérios técnicos reconhecidos internacionalmente, como espessura e continuidade das unidades-reservatório, presença de selantes eficazes, profundidade compatível (entre 800 e 3000 m), salinidade das águas (>10.000 mg/L) e ausência de conflitos com usos múltiplos da água subterrânea. A escolha da bacia do Paraná deve-se à sua extensa área, bom grau de conhecimento geológico, infraestrutura pré-existente (como dutos e poços perfurados), e localização próxima a regiões industriais emissoras de CO₂. Com isso, reúne condições logísticas e técnicas que favorecem a implantação de projetos-piloto e, eventualmente, em escala comercial. Foram identificadas duas princiapais unidades litoestratigráficas com potencial para o armazenamento de CO₂: 1: Formação Rio Bonito e 2: Formação Campo Mourão, Grupo Itararé. Os arenitos da Formação Rio Bonito, apesar de sua maior heterogeneidade, mostram-se promissor em alguns setores, especialmente quando associado à presença de folhelhos intercalados com caráter selante. Os litotipos selantes identificados incluem diamictitos e folhelhos das próprias unidades litoestratigráficas dos potenciais reservatórios, bem como basaltos da Formação Serra Geral. Os aquíferos associados aos reservatórios encontram-se a profundidades adequadas, com salinidade elevada e isolamento em relação aos aquíferos potáveis, o que favorece sua utilização exclusiva para fins de armazenamento de CO₂. Com todas as análises realizadas, a bacia do Paraná apresenta elevado potencial para a implantação de projetos de CCS em aquíferos salinos profundos, tanto em termos geológicos quanto logísticos. A seleção de unidades-reservatório adequadas, associadas a selantes eficientes e conhecimento técnico consolidado, reforça a viabilidade de projetos-piloto, que poderão contribuir de forma efetiva para a descarbonização da matriz energética brasileira.
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