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Introdução
A segurança do paciente é crucial na formação de profissionais de saúde. Avaliar atitudes em relação à segurança é essencial para identificar áreas de melhoria na educação. O Attitudes to Patient Safety Questionnaire (APSQ-III) é um instrumento amplamente utilizado, mas necessitava de validação no contexto brasileiro.
Objetivos
Adaptar e validar o APSQ-III para o português brasileiro e comparar as atitudes de segurança do paciente entre estudantes de medicina e enfermagem.
Método
Adaptação transcultural seguiu as diretrizes de Beaton et al. (2000), incluindo tradução, síntese, retrotradução e avaliação por comitê de especialistas. O APSQ-III adaptado foi aplicado a 423 estudantes de medicina e enfermagem. A análise fatorial confirmatória (AFC) verificou a estrutura fatorial, e a confiabilidade foi avaliada por alfa de Cronbach, ômega de McDonald e confiabilidade composta. Aprovado pelo CEP / FAMERP, parecer 4.543.158, em 17/02/2021.
Resultados
A AFC suportou um modelo de nove fatores com 26 itens (χ2/df = 1.92; CFI = 0.90; TLI = 0.89; RMSEA = 0.05; SRMR = 0.07). As cargas fatoriais variaram de 0.30 a 0.82, com índices de confiabilidade satisfatórios, exceto para os fatores 4 (α= 0.47; ω= 0.48) e 9 (α= 0.54; ω= 0.54). Diferenças significativas foram encontradas entre estudantes de medicina e enfermagem em quatro fatores, e diferenças de gênero foram notadas em cinco itens.
Conclusões
A versão brasileira do APSQ-III demonstrou validade e confiabilidade adequadas para sete dos nove fatores originais, confirmando sua utilidade para avaliar as atitudes de segurança do paciente entre estudantes de saúde no Brasil. No entanto, a baixa confiabilidade dos fatores 4 e 9 indica a necessidade de cautela em sua interpretação e sugere a possibilidade de desenvolver uma versão reduzida da escala, excluindo esses fatores problemáticos.
Implicações para a segurança do paciente
Este estudo contribui significativamente para o avanço da pesquisa e educação em segurança do paciente no Brasil, fornecendo uma ferramenta validada para avaliar e monitorar as atitudes de segurança entre estudantes de saúde. A identificação de diferenças nas atitudes entre estudantes de medicina e enfermagem destaca a importância de abordagens educacionais personalizadas, que considerem as necessidades e perspectivas específicas de cada grupo. A implementação de programas de treinamento e sensibilização, baseados nos resultados desta pesquisa, pode contribuir para a redução de eventos adversos e para a promoção de uma cultura de segurança em todo o sistema de saúde.
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