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A obra de arte digitalizada: qual estatuto? Quais valores? Por qual autoridade?
Propomos discutir o estatuto, os valores e a autoridade da obra de arte digitalizada, principalmente em relação à sua musealização e à digitalização no contexto dos museus. O estatuto da obra de arte digitalizada envolve uma transformação ontológica, na qual o objeto é retirado de seu contexto original e recontextualizado em um ambiente digital, gerando uma nova forma de existência. Esse processo de musealização redefine o objeto, que, ao ser digitalizado, assume o papel de "substituto" do original. O termo "substituto" é discutido como sendo mais apropriado que "cópia", uma vez que envolve uma modalidade de "reprodução" que reflete uma função de substituição com múltiplos usos.
A digitalização, embora amplie o acesso e a disseminação da obra, levanta questões sobre a perda de sua "aura" e autenticidade, conforme discutido por Benjamin. No entanto, o conceito de autenticidade é reavaliado no texto, que apresenta a ideia de uma "autenticidade secundária" ou "narrativa", que pode ser atribuída à representação digital baseada na precisão e fidelidade aos dados do objeto original. O substituto digital, portanto, não é apenas uma reprodução do objeto físico, mas carrega seu próprio valor simbólico e performativo, permitindo novas formas de interação e interpretação.
A autoridade da obra de arte digitalizada está intimamente ligada ao controle exercido pelas instituições museológicas. O museu, ao preservar e expor a obra digitalizada, ainda busca manter um papel central na legitimação dessa obra como parte de um patrimônio cultural. A autoridade também se manifesta na confiança depositada pelos espectadores na autenticidade do objeto exposto, mesmo que este seja uma versão digital. Acentuamos que, embora o museu possa adaptar-se a novas formas de exibição e interação, a instituição não consegue desvencilhar-se completamente do objeto, cuja centralidade é crucial para sua autoridade e identidade.
Assim, a obra digitalizada adquire um novo estatuto, sendo um substituto complexo que mantém uma relação simbiótica com o original. Seus valores estão relacionados à sua capacidade de expandir o acesso e democratizar a arte, enquanto sua autoridade continua a ser controlada pelas instituições que gerenciam esses objetos digitalizados, mantendo sua função de preservar e transmitir o patrimônio cultural, agora em uma dimensão digital.
Palavras-chave: Substituto digital da obra de arte; Musealização; Autenticidade; Aura; Autoridade dos museus.
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