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O Nordeste do Brasil, historicamente, é conhecido como uma região de grandes perdas populacionais nas migrações internas. Contudo, desde a década de 1980 e, principalmente, a partir dos anos de 1990, constatam-se o arrefecimento destes volumes, conjuntamente com a atração de migrantes internacionais (estudantes) a partir da última década do século XX. Assim, o objetivo deste estudo é analisar a imigração internacional e o perfil dos migrantes procedentes dos países de língua portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guine Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste), com destino para os nove estados do Nordeste, de 2010 até janeiro de 2024. Para tanto, o Sistema de Registro Nacional Migratório (SisMigra) do Departamento da Polícia Federal é a principal fonte de informações. Os resultados mostram Portugal, Guiné Bissau e Angola como os países que mais enviam imigrantes para o Nordeste, com volume crescente de maneira ininterrupta de 2010 até 2014, e arrefecimento a partir de 2015, devido as diversas crises (política, econômica e sanitária) que o país passou, com a retomada lenta do fluxo desde 2022. Os estados mais atrativos foram o Ceará, Bahia e Pernambuco, maiores economias da região e contam com o maior contingente populacional do Nordeste. Quanto ao perfil dos imigrantes, predomina o sexo masculino, em idade ativa (15 a 65 anos), com destaque para o grupo etário de 26 a 40 anos, solteiro, com um perfil diverso nas ocupações, mas a maioria imigra para estudar, além de trabalhar como diretor, abrir o próprio negócio, são aposentados ou engenheiros. Portanto, evidencia-se que no século XXI, a região Nordeste se insere na rota das migrações internacionais, com um fluxo de distintas nacionalidades, com migrantes qualificados ou em busca de qualificação, com o objetivo estudar, trabalhar, investir ou segunda residência.
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