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Resumo: O painel discute a importância dos saberes locais e o contributo para a emancipação do aluno do campo. Fundamenta a necessidade de institucionalização dos saberes locais na escola. Os movimentos sociais do campo em luta pela educação pública geraram um marco regulatório para a educação básica no campo e para as licenciaturas na universidade (SILVA, 2018; ARROYO, 2007). A disputa é acirrada, uma vez que a história da modernidade é marcada pela monocultura do conhecimento científico, que deslegitima qualquer forma de conhecimento e de saber que não seja produzido sob os parâmetros da ciência. Uma diversidade de sujeitos se lança à disputa por um projeto emancipatório no campo complexificando a produção científica. Na teoria da ecologia de saberes se estimula a pluralidade de saberes para o diálogo, que passa pela reafirmação dos saberes locais. A inclusão dos conteúdos locais impulsiona espaço de convivência dos saberes, local e universal. Questões paradoxais, motivadas pela materialidade do sujeito, referenciada na classe, raça e gênero, trazem mediações produtivas à elaboração teórica na educação do campo. Estas intervenções vêm de campesinas negras, a partir de cartas autobiográficas que, por meio de outros regimes de saber apontam para o privilégio epistêmico da branquitute, na produção teórica da educação do campo, e assinalam os saberes constituídos pelo legado ancestral feminino no campo e pelas lutas do campesinato negro (LABOURNE, 2017; SLENES, 2011; GOMES, MACHADO, 2015). Um olhar atento ao saber local produzido pela formação de docentes de licenciatura em educação do campo através de memoriais nos insta à reflexão formativa de educadores/as, na medida em que recupera suas narrativas de vida, escolarização, trabalho e lutas. As análises apontam para uma autoconsciência formativa na perspectiva da educação do campo (THOMPSON, 1995; BENJAMIM, 1987; FREIRE, 2013). As narrativas em cartas e memoriais indicam a necessidade de rompimento com qualquer perspectiva de monocultura, própria aos latifúndios e ao agronegócio, para desenvolvimento do saber local. O referencial teórico ancorado em teorias de Boaventura de Sousa Santos (1997), Castiano (2013), Geertz (1997) conclui que o diálogo entre a cultura tradicional local com a cultura da escola elimina a dicotomia entre o local e o universal e o tradicional e o moderno e cria bases para os debates que fazem da educação do campo este lugar de prosas entre os/as camponeses/as e os movimentos e grupos em que estão inseridos/as. Palavras-chave: Educação do campo; Cultura; Saberes locais; Cartas autobiográficas; Memoriais
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