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Este painel traz movimentos de teorização do currículo que desenvolvemos em redes de pesquisa interinstitucionais com foco na circulação da diferença, envolvendo Universidades e escolas públicas do RJ, BA e PA. O compromisso [derridiano] que anima as pesquisas dessas redes é com a alteridade radical, o que põe em questão os limites que os textos curriculares – incluindo os nossos – erigem ao se perguntarem e até responderem “o que é” currículo. Assumindo uma perspectiva pós-estrutural, temos recorrido à metáfora da difração para produzir uma leitura intra-ativa (Barad, 2007, 2020) de diferentes “tradições”. Há mais de duas décadas, D. Haraway sugeria essa metáfora – posteriormente difratada no pensamento feminista – como forma de teorizar a pesquisa como acontecimento irredutível ao mesmo. Em leituras que reverberam a desconstrução derridiana na ontologia realista agencial de Barad (2007, 2020), produzimos leituras ou teorizações sobre currículo. As pesquisas desenvolvidas em nossas redes com comunidades quilombolas, indígenas, povos da floresta, LGBTQIA+ [nomeações identitárias que usamos sob rasura], assim como com escolas públicas sempre plurais, têm nos propiciado engajamentos transdisciplinares de leitura e performances teórico-metodológicas. Talvez fosse mais adequado não identificar de onde vêm tais engajamentos e ficar com a sugestão de Barad (2020) de uma “relacionalidade radicalmente aberta da própria mundificação do mundo” (p.339). De toda forma, o que nos interessa é pensar a teorização sobre currículo no emaranhado de “disciplinas” ou “tradições” que nos atravessam. Ler as “tradições” nomeadas – raciais ou sexualidade ou currículo, por exemplo – difratadas umas pelas outras, sem deixar de considerar as práticas materiaisdiscursivas que as constroem como tal. Ao mesmo tempo, difratar textos “acadêmicos” com formas materiais-textuais outras, incluindo [mas não apenas] aquelas produzidas em movimentos sociais e escolares. O esforço das apresentações aqui reunidas é tratar os emaranhamentos como “engajamentos materiais específicos que participam na (re)configuração do mundo” (Barad, 2007, p.91). Não assumem, portanto, a ideia de que os complexos materiais-textuais preexistem ao emaranhamento. Elas tomam os emaranhados como a necessária e impossível relação com a outridade que, por respeito, precisa manter-se assim. Ecoando Barad, Derrida e outras cosmoontognosiologia, buscamos operar “cortes agenciais, retrabalha[ndo] radicalmente relações de junção e disjunção (Barad, 2020, p.340). O que importa é que a teorização, este emaranhamento performativo, possa seguir uma trajetória de différance. 1/15 Referências: BARAD, Karen. Meeting the universe halfway. Durham: Duke University, 2007. BARAD, Karen. Performatividade queer da natureza. REBEH, v.3, n.11, p. 300-346, 2020. Palavras-Chave: currículo; teoria; diferença; pós-estrutural.
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