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A desigualdade de rendimentos do trabalho no Brasil cai na primeira década do século XXI, com tendência de reversão na segunda década. A despeito desse cenário, diferenças se mantêm quando se considera o indivíduo por cor e sexo. Isso parece evidenciar que os grupos demográficos não se beneficiaram da mesma forma da redução da desigualdade e dos aumentos da renda durante o período e dos efeitos adversos da conjuntura no período mais recente. Ou seja, alguns grupos podem ter tido maior sucesso em transitar de forma ascendente na distribuição de renda, enquanto outros permaneceram estagnados, apesar do aumento de rendimentos, ao mesmo tempo em que foram impactados com mais intensidade na conjuntura mais recente.
A análise da mobilidade de rendimentos permite quantificar como a posição dos indivíduos na distribuição se altera ao longo do tempo, reconhecendo que a sua posição no presente é dependente da mesma em um período anterior. Dessa forma, com base nas possíveis relações entre a distribuição e a mobilidade de rendimentos, busca-se analisar como a mobilidade em diferentes pontos da distribuição, combinadas com características de cor e sexo, atuam na redução/aumento ou manutenção da desigualdade para indivíduos ocupados com idade entre 30 e 64 anos no período entre 2012 e 2021. Usando dados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar Contínua Trimestral (PNADC/T) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a mobilidade é analisada por um conjunto de indicadores, que permitem avaliar tanto o ganho (ou perda) de renda médio de um determinado grupo de indivíduos como também mudanças na posição relativa dentro da distribuição. Considerando a análise por grupos de sexo e de cor, é possível identificar os conjuntos populacionais que mais se beneficiaram (ou não) dos movimentos de mobilidade e se as variações na desigualdade foram sentidas de modo homogêneo por todos os grupos. Além da intensidade e da direção da mobilidade de rendimentos, também é possível analisar como o nível de rendimento atual é dependente de seu valor passado. Para captar esta dependência temporal, parte-se de uma equação minceriana de rendimentos e da estimação de regressões quantílicas, permitindo uma análise da dependência temporal da renda, além do efeito de variáveis individuais, regionais e macroeconômicas sobre os rendimentos em cada quantil da distribuição por sexo e cor. Os resultados dos indicadores de mobilidade e das regressões quantílicas mostram que a mobilidade contribui para uma distribuição mais desconcentrada no tempo, em níveis diferentes para brancos e pretos e pardos. Os pretos e pardos registram maior mobilidade, principalmente as mulheres, menores níveis de desigualdade e uma concentração maior na base da pirâmide salarial. Maior mobilidade ascendente para os pretos e pardos na base da distribuição pode contribuir para uma menor desigualdade no longo prazo entre os grupos. Contudo, esse movimento se arrefece no período mais recente.
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