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Esta pesquisa é um desdobramento de estudos anteriores sobre os/as catadores(as) de materiais recicláveis das Cooperativas de Catadores de Campos dos Goytacazes/RJ, após encerramento do lixão da Codin em 2012. Tendo como referência a mobilização e ação coletiva desses/as protagonistas que, hoje, ocupam o espaço produtivo das 4 cooperativas existentes no município, este trabalho direciona-se à problematização da presença das mulheres jovens nesta atividade, apresentada como a única forma de sustento encontrada frente ao cenário de desemprego, de precarização do trabalho, de empobrecimento e de fome. Segundo dados do MNCR (2014), 70% dos seus integrantes são mulheres, o que salienta a feminização da reciclagem e a relação deste trabalho com o processo de empobrecimento, desvalorização e precarização. Nesse sentido, entender a organização das cooperativas e autogestão, bem como, suas demandas, tensões, relações estabelecidas com o governo local, território e cooperados é essencial para compreender a inserção da juventude feminina nesta atividade laborativa. Uma vez que, apesar dos avanços conquistados pela categoria de catadores em Campos, como a participação na coleta local, este trabalho ocorre de forma fragmentada e precária. Ademais, evidencia-se que esta atividade da catação perpassa o debate geracional e de gênero. Sendo assim, a metodologia adotada nesta pesquisa consiste na revisão bibliográfica com leituras sobre autogestão coletiva, gênero, raça, feminização do trabalho, etc; que acontecem através de reuniões semanais. Além disso, são realizadas visitas às Cooperativas, onde se realizou a aplicação de formulários que estão sendo digitalizados para compor um banco de dados com as questões do estudo (pesquisa quali-quantitativa). Este formulário contém questões voltadas para o conhecimento da atividade exercida na cooperativa, vivências, construção de um perfil socioeducacional e perspectivas futuras. Ao final da análise do mesmo, serão realizadas algumas entrevistas semiestruturadas para a compreensão das representações e concepções sobre o trabalho e trajetórias das jovens trabalhadoras e mães. Destarte, considera que a reflexão crítica sobre a organização coletiva dos cooperados é representado pelas mudanças no cenário político neoliberal contrário a ação coletiva solidária e os interesses coletivos dessa categoria que por meio da mobilização criam respostas à ausência do poder público. À vista disso, é de suma importância a construção deste debate na garantia dos direitos sociais, políticos e econômicos dessa categoria, dando ênfase para a juventude feminina, suas representações, modos de vida, trajetórias de trabalho e escolaridade.
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