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Na pós-modernidade se institui a tentativa de realização pessoal via acumulação de bens e obtenção de sentimentos positivos. Na busca positiva de aparente liberdade e felicidade, como escravos de processos mecânicos e autômatos, nos submetemos a um distanciamento do caráter próprio da existência: a angústia. Esta, por sinal, nos devolveria a um lugar de inconformidade e estranhamento para com as lógicas e impérios de produção e exploração que nos circundam. Contudo, na era dos grandes avanços tecnológicos, o caráter mais próprio da existência é desvalorizado em uma busca acrítica e impessoal pela possibilidade de ser o que o ser-humano não é, isto é, ser determinado por uma representação técnica de como o mundo se apresenta - a tecnificação da existência pela busca da felicidade. Assim, tendo em vista a angústia como disposição fundamental da existência e, por conseguinte, de seus humores, o objetivo deste trabalho é retornar à filosofia e às discussões sobre o contemporâneo e refletir sobre o pragmatismo no qual impera o anseio por ser feliz. Partiremos da analítica da existência Heideggeriana, na qual se fundamenta a fenomenologia hermenêutica, a fim de compreender este fenômeno. Para isso, tomando como método a pesquisa bibliográfica, estabelece-se um refinamento analítico do contemporâneo a partir do diálogo entre Heidegger e Byung-Chul-Han no intuito de apresentar possibilidades de clareamento da condição ontológica obscurecida por esta dinâmica contemporânea utilitarista. De acordo com o estágio inicial da pesquisa e as breves leituras em relação ao tema até o momento desta escrita, os resultados se direcionam a uma excessividade na busca da felicidade, como se fosse um estado de humor mais privilegiado. Os argumentos da discussão perpassam o pensamento de que neste tempo dos excessos, onde se vende, produz e compra em excesso, a felicidade se torna apenas mais um commodity que serve de instrumento para que as grandes organizações do sistema regulem e vigiem a massa, mesmo que esta vigilância venha de dentro das próprias pessoas vigiadas. Logo, a conclusão parcial é que em uma espécie de adestramento, para não destoar do normal da massa, vigia-se a si mesmo para ser feliz, e a busca pela felicidade nessa vigília é também o que regula e naturaliza a massa segundo o status quo. Este movimento de compressão da existência à busca pela felicidade reduz a existência a um caráter utilitário. Portanto, mais do que procurar a felicidade, reiteramos o retorno à questão mais essencial, que envolve dar um passo atrás para compreender as características ontológicas que determinam a possibilidade da busca pela felicidade no horizonte histórico em que se situa.
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