Determinação da composição isotópica e da concentração de mercúrio na Lagoa de Cima, Campos dos Goytacazes – RJ.

Vol 3, 2022 - 147584
Iniciação Científica-Oral
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Resumo

A área do entorno da Lagoa de Cima (LC) vem sofrendo ao longo dos anos com modificações de parte da sua vegetação original (vegetação C3) por áreas de cana-de-açúcar e pastagem (vegetação C4). Como consequência, ocorre a modificação da matéria orgânica (MO) local, além da liberação de mercúrio (Hg) na atmosfera de origem local (ex.: queima de biomassa vegetal e reemissão do Hg presente no solo) ou regional (ex.: centros urbanos e indústrias). Assim, o objetivo do estudo é verificar como a modificação da vegetação afeta a MO das matrizes da LC através da utilização de isótopos estáveis de carbono (δ13C), além de relacionar as concentrações de Hg com o teor de carbono orgânico (COrg) nas amostras. Para isso, foram coletadas 15 amostras de vegetação e solo com diferente cobertura vegetal e 14 amostras de água e sedimento ao longo da lagoa. As amostras de água foram filtradas a fim de separar as frações dissolvida e particulada (MPS) da água. Dessa forma, a determinação de δ13C e δ15N foi realizada no IRMS, os valores de contribuição de vegetação C4 foram calculados através do modelo linear de duas fontes; as concentrações de mercúrio foram obtidas através do equipamento TECRAN. Os valores de δ13C foram distintos quando comparados entre vegetação-solo C3 e vegetação-solo C4 (ANOVA one- way: p < 0,001), com vegetação-solo C3 exibindo valores empobrecidos em 13C. Na LC, as frações dissolvida e particulada da água apresentaram valores de δ13C semelhantes (ANOVA one-way: p > 0,05), porém distintos dos valores do compartimento sedimentar (ANOVA one-way: p < 0,001), com a água apresentando valores mais empobrecidos em 13C. Os dados mostraram uma predominância de fonte C3 nas matrizes da LC, porém com maior influência da lixiviação dos solos para o sedimento. A distribuição do Hg na LC mostrou maior concentração no MPS, principalmente na parte oeste e central da LC, com valores variando entre 0,21 e 2,78 ng/L e para a fração dissolvida, Hg variou entre 0,08 e 1,57 ng/L. Para os sedimentos, Hg variou entre 14,12 e 234,76 ng/g onde as concentrações máximas promovem prováveis efeitos biológicos a vida aquática (PEL). A partir da distribuição espacial de Hg e COrg. foi possível observar que apresentam uma distribuição similar, indicando que a matéria orgânica é responsável pela distribuição de Hg nos diferentes compartimentos abióticos da LC (ex.: COrg e Hg na água e sedimento R² > 0,592). Concluindo, os resultados mostram a contribuição de vegetação C4 como resultado da modificação da vegetação local e a lixiviação do solo regendo a distribuição do Hg nas águas e no depósito sedimentar da LC.

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
  • 2 Universidade Federal do Norte Fluminense
Eixo Temático
  • 1.1 UENF - Ciências Biológicas (CBB): 1. Ciências Ambientais
Palavras-chave
Lagoa de Cima
isótopos estáveis
mercurio